Engana-se quem pensa que só aqueles com mais de 30 ou 40 anos têm crise de meia idade. Eu sou uma prova viva disso. Tenho 24 anos e estou em uma constante crise de meia idade.
Mas como é que eu posso estar em crise de meia idade se nem sequer cheguei ao meio da vida?
Aliás, quem me garante que ainda viverei mais 24 anos, ou metade disso? Como saber quanto tempo mais eu tenho?
Não que eu me arrependa de algo que fiz ou que não fiz, pelo contrário. Acho que todas as atitudes que tomei na minha vida foram corretas, pois se não fosse assim, eu não estaria como estou agora. E acho que estou bem. Mas e se...? É quase impossível não pensar no "E se...", de vez em quando.
E se... eu tivesse feito aquilo? E se... eu tivesse ido naquele lugar? E se... eu tivesse sido menos temerosa?
E se...? São muitos questionamentos, até evito fazê-los.
Mas aí percebo que estou com 24 anos, que há 10 tinha 14, que há sete me formei no ensino médio, que há cinco estou na faculdade - com previsão de formatura para o ano que vem - e penso... E depois?
O que vem depois de tudo isso? Para onde irei?
Planos, eu tenho. Mas pensar em colocá-los em prática é um tanto assustador.
Estudar.
Trabalhar.
Viajar. Ok, viajar não é assustador, bem pelo contrário.
Ou talvez seja, dependendo do que eu vá fazer.
A questão é que cheguei numa fase da vida em que vejo uma luz no fim do túnel, ou seja, o fim da faculdade - que eu sempre considerei uma extensão do colégio, ou seja, um local de aprendizado e no qual posso cometer erros, mas e depois? Vejo a luz no fim do túnel, depois dela sei que estarei do lado de fora, mas o que vai acontecer?
Qual é o meu objetivo, de fato, na vida?
Por que eu não posso voltar aos 14 anos e viver eternamente naquela época?
Crescer é complicado, amadurecer é um desafio.
Eu realmente não quero chegar aos 30, mas quem liga pra isso? Daqui seis anos, volto para dar um parecer sobre os tão temidos 30 anos. Se é que eu chegarei lá.
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