- Você não vai ir embora antes da gente conversar direito! - ouvi uma voz alta e grossa atrás de mim. Ele não estava gritando, mas estava claramente falando alguns decibéis acima do que de costume. Vários decibéis. Respirei fundo e me virei.
- Eu não tenho NADA pra dizer a você, absolutamente NADA. - coloquei força demais na palavra "nada". Sentia meu rosto arder. Ele não podia estar falando sério.
- Mas EU tenho! - ele chegou perto de mim e segurou meus braços com força. - Espera! - me fitou com aqueles olhos azuis, brilhantes, mas amedrontadores. - Podemos resolver isso!
- Me solta? - pedi, sem poder me mexer. Ele soltou meus braços e fez sinal de rendição. Pelo menos isso. - Não estou a fim de ter essa conversa. Não quero tê-la. Me deixa, por favor?
- Molly...
- Eu te machuquei. - levei um dedo de encontro ao meu próprio peito. - Você me machucou. - apontei para ele. - Nós dois saímos machucamos. - apontei para nós. - O melhor que podemos fazer é seguir em frente. Separados.
Ele deixou os ombros caírem, arrasado.
Eu também estava arrasada.
- Amigos, então? - ele estendeu a mão, receoso. Arqueei uma sobrancelha. Ele não podia estar falando sério;
- Eu não posso aceitar isso.
- Então não aceite. - ele fixou seus olhos incrivelmente azuis nos meus e eu não consegui de jeito nenhum desviar. - Você sabe que existe outro caminho.
- Não me coloque nessa encruzilhada. - Alisei meu cabelo, nervosa e mordi o lábio inferior. - Você sabe que essa não é a primeira vez que passamos por isso. E para o nosso bem, é melhor que seja a última.
Ele suspirou pesadamente. Eu continuei alisando o cabelo e olhei para o lado, agora com medo de encará-lo.
- Eu acho que você tem razão. - engoli em seco. Por mais que aquela fosse a atitude que eu esperava dele, foi difícil assimilar. Senti um nó se formar na minha garganta. - Se você acha que é melhor mesmo... - ele deu de ombros, tentando passar indiferença. Mas eu sabia que ele estava fingindo. Por mim.
- Eu não acho melhor, David. Eu acho mais seguro;
- Segurança é melhor que instabilidade. - ele disse, sério. - Por mais que a nossa instabilidade fosse... Bom, deixa pra lá. - abri e fechei a boca algumas vezes, mas som algum saiu dela.
- Eu... Está certo. - finalmente disse, com uma segurança vinda sabe Deus de onde. - Obrigada por entender. - falei, olhando para o chão.
- Você não consegue nem me encarar.
- David, não torne tudo pior. - pedi, com a voz um pouco tremida. Onde estava a segurança agora? Tinha sumido.
- Tudo bem, Molly. Eu só quero que você saiba que o que tivemos foi especial. Esse relacionamento foi o melhor que eu já tive na vida. Só quero que você... saiba disso. - ele finalizou, me encarando de forma intimidadora. Este parecia ser o dom dele. Encarar e intimidar pessoas.
- Adeus, David.
- Adeus, Molly.
Os dois viraram em direções opostas.
- Até breve, pequena. - David disse para si, com um ar esperançoso.
- Te vejo logo mais, Dave. - Molly sussurrou, esboçando um sorriso.
Fim?
quarta-feira, 23 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Whatever will be, will be
Ele
Coloquei as mãos nos bolsos. Elas estavam gélidas, mas logo ficaram aquecidas. Respirei fundo uma, duas vezes. Soltei o ar calmamente, apreciando o vapor que se formava com o ar quente vindo de mim e o frio da rua. Caminhei lentamente. Senti a garganta trancada, como se precisasse falar algo. Como se precisasse gritar. Eu precisava gritar para todo mundo que aquilo estava errado. Muito errado.
Ela
Sentei no sofá. Senti o cheiro dele no lençol ali estendido e logo algumas lágrimas pediram passagem, mas tratei de engolir o choro. Eu não podia chorar. Eu não podia permitir isso. Força. Era disso que eu precisava. Fui à cozinha e servi um copo de água. Tentei bebê-la tranquilamente. Respirei fundo. Voltei para a sala.
Ele e Ela
Algo precisa ser feito!
Ele
Criei coragem e voltei pra frente daquela casa. Me aproximei calmamente dos degraus que me separavam da porta. Pisei em um, em outro. No último, quase desisti. Mas segui avançando até terminar o curto caminho. Estiquei o braço, hesitante. E depois afastei. Aproximei-o novamente e, dessa vez, toquei na maçaneta.
Ela
Eu estava num vaivém desgastante, aproximando e afastando minha mão da maçaneta. Quando, finalmente, toquei nela, não pensei duas vezes e a girei.
Ele
Antes de conseguir tomar qualquer atitude, vi que a maçaneta da porta já estava sendo girada por dentro. Dei dois passos para trás, assustado, e vi a porta se abrir. E lá estava ela, tão bonita e serena quanto há 15 minutos.
- Eu... Não sei o que está havendo. - ele disse, coçando a nuca, sem jeito. - Olha...
- Não. Por favor, não fale nada. - ela pediu. - Eu preciso de você. A questão é: você também precisa de mim?
- Nunca precisei tanto de alguém na minha vida.
Recomeçar. Por que não?
Coloquei as mãos nos bolsos. Elas estavam gélidas, mas logo ficaram aquecidas. Respirei fundo uma, duas vezes. Soltei o ar calmamente, apreciando o vapor que se formava com o ar quente vindo de mim e o frio da rua. Caminhei lentamente. Senti a garganta trancada, como se precisasse falar algo. Como se precisasse gritar. Eu precisava gritar para todo mundo que aquilo estava errado. Muito errado.
Ela
Sentei no sofá. Senti o cheiro dele no lençol ali estendido e logo algumas lágrimas pediram passagem, mas tratei de engolir o choro. Eu não podia chorar. Eu não podia permitir isso. Força. Era disso que eu precisava. Fui à cozinha e servi um copo de água. Tentei bebê-la tranquilamente. Respirei fundo. Voltei para a sala.
Ele e Ela
Algo precisa ser feito!
Ele
Criei coragem e voltei pra frente daquela casa. Me aproximei calmamente dos degraus que me separavam da porta. Pisei em um, em outro. No último, quase desisti. Mas segui avançando até terminar o curto caminho. Estiquei o braço, hesitante. E depois afastei. Aproximei-o novamente e, dessa vez, toquei na maçaneta.
Ela
Eu estava num vaivém desgastante, aproximando e afastando minha mão da maçaneta. Quando, finalmente, toquei nela, não pensei duas vezes e a girei.
Ele
Antes de conseguir tomar qualquer atitude, vi que a maçaneta da porta já estava sendo girada por dentro. Dei dois passos para trás, assustado, e vi a porta se abrir. E lá estava ela, tão bonita e serena quanto há 15 minutos.
- Eu... Não sei o que está havendo. - ele disse, coçando a nuca, sem jeito. - Olha...
- Não. Por favor, não fale nada. - ela pediu. - Eu preciso de você. A questão é: você também precisa de mim?
- Nunca precisei tanto de alguém na minha vida.
Recomeçar. Por que não?
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