quarta-feira, 23 de maio de 2012

The end has NO end

- Você não vai ir embora antes da gente conversar direito! - ouvi uma voz alta e grossa atrás de mim. Ele não estava gritando, mas estava claramente falando alguns decibéis acima do que de costume. Vários decibéis. Respirei fundo e me virei.
- Eu não tenho NADA pra dizer a você, absolutamente NADA. - coloquei força demais na palavra "nada". Sentia meu rosto arder. Ele não podia estar falando sério.
- Mas EU tenho! - ele chegou perto de mim e segurou meus braços com força. - Espera! - me fitou com aqueles olhos azuis, brilhantes, mas amedrontadores. - Podemos resolver isso!
- Me solta? - pedi, sem poder me mexer. Ele soltou meus braços e fez sinal de rendição. Pelo menos isso. - Não estou a fim de ter essa conversa. Não quero tê-la. Me deixa, por favor?
- Molly...
- Eu te machuquei. - levei um dedo de encontro ao meu próprio peito. - Você me machucou. - apontei para ele. - Nós dois saímos machucamos. - apontei para nós. - O melhor que podemos fazer é seguir em frente. Separados.
Ele deixou os ombros caírem, arrasado.
Eu também estava arrasada.
- Amigos, então? - ele estendeu a mão, receoso. Arqueei uma sobrancelha. Ele não podia estar falando sério;
- Eu não posso aceitar isso.
- Então não aceite. - ele fixou seus olhos incrivelmente azuis nos meus e eu não consegui de jeito nenhum desviar. - Você sabe que existe outro caminho.
- Não me coloque nessa encruzilhada. - Alisei meu cabelo, nervosa e mordi o lábio inferior. - Você sabe que essa não é a primeira vez que passamos por isso. E para o nosso bem, é melhor que seja a última.
Ele suspirou pesadamente. Eu continuei alisando o cabelo e olhei para o lado, agora com medo de encará-lo.
- Eu acho que você tem razão. - engoli em seco. Por mais que aquela fosse a atitude que eu esperava dele, foi difícil assimilar. Senti um nó se formar na minha garganta. - Se você acha que é melhor mesmo... - ele deu de ombros, tentando passar indiferença. Mas eu sabia que ele estava fingindo. Por mim.
- Eu não acho melhor, David. Eu acho mais seguro;
- Segurança é melhor que instabilidade. - ele disse, sério. - Por mais que a nossa instabilidade fosse... Bom, deixa pra lá. - abri e fechei a boca algumas vezes, mas som algum saiu dela.
- Eu... Está certo. - finalmente disse, com uma segurança vinda sabe Deus de onde. - Obrigada por entender. - falei, olhando para o chão.
- Você não consegue nem me encarar.
- David, não torne tudo pior. - pedi, com a voz um pouco tremida. Onde estava a segurança agora? Tinha sumido.
- Tudo bem, Molly. Eu só quero que você saiba que o que tivemos foi especial. Esse relacionamento foi o melhor que eu já tive na vida. Só quero que você... saiba disso. - ele finalizou, me encarando de forma intimidadora. Este parecia ser o dom dele. Encarar e intimidar pessoas.
- Adeus, David.
- Adeus, Molly.

Os dois viraram em direções opostas.

- Até breve, pequena. - David disse para si, com um ar esperançoso.
- Te vejo logo mais, Dave. - Molly sussurrou, esboçando um sorriso.

Fim?

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