terça-feira, 28 de agosto de 2012

Para sempre menina

Síndrome de Peter Pan, também conhecida como desprezo, não-aceitação ou relutância à ideia de crescer. Muitas pessoas, em determinado estágio da vida, passam a não querer ficarem mais velhas. Depois de uma certa idade, não é mais questão de crescer no sentido literal da palavra, na altura. É crescer como pessoa e passar a adquirir comportamentos mais adequados pra idade. Uma pessoa de 16 anos não pensa como uma de 12, assim como uma de 23 não pensa como uma de 16. Isso teoricamente, pois nem sempre é assim.

Atitudes e comportamentos são os verdadeiros medidores de idade, muitas vezes apontando uma idade inferior ou superior a que a pessoa realmente deve ter. Na maioria das vezes, crianças querem ser adolescentes ou adultas de uma vez, adolescentes querem ser adultos... E os adultos? Fariam de tudo para voltar à adolescência ou a infância. Mas há aqueles que nem sabem direito o que são, estão em algum período indefinido entre a adolescência e a fase adulta. É assim com muitas pessoas. Mas por que crescer chega a um ponto em que não agrada mais? Mais responsabilidades, mais trabalho, menos diversão, menos aventuras? Por que deveria ser assim? Não há uma resposta específica, mas é fato que crescer dá medo.

Quando se é criança ou adolescente, não se pensa direito nas partes mais complicadas da questão. O que se quer é "ser adulto" e "ter direitos como adultos" e ponto. É só isso que importa. Mas quando, finalmente, é chegada a hora de agir como o adulto que se tornou, muitos ficam amedrontados e acabam se agarrando a valores que adiarão tomadas importantes de decisões. Que os farão ficarem no estágio anterior, adolescência, por mais tempo. Mas o tempo passa, e não vai esperar ninguém acompanhá-lo. Cabe à pessoa apertar o passo e seguir em frente. Quem disse que a vida de adulto precisa ser chata? Além do mais, quem disse que as pessoas são necessariamente apenas adultas?

Adultos são mais sábios, possuem mais experiências (na teoria), mas podem possuir características de adolescentes também. Até mesmo de crianças. Não há, de um modo geral, problemas em carregar características dos estágios anteriores à fase adulta consigo. O problema está em não querer ser adulto, em negar que se está crescendo e esnobar a ideia como se ela fosse inaceitável. É preciso encarar de frente, sem criar subterfúgios. É preciso aceitar. O tempo não espera por decisões.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

I wonder what it's like to fly so high

Música: Walk In the Sun - McFly

Devia ser por volta de 7 da noite e o mar estava mais calmo. As ondas quebravam na margem sem fazer tanto barulho, tornando a paisagem em geral realmente agradável. O sol começava a se pôr no horizonte e alguns pássaros voavam. Os acordes de uma música começaram a soar sem aviso prévio. A garota, que andava descalça próxima ao mar, com as sandálias em mãos e o cabelo solto, voando conforme o vento batia, olhou para trás. Avistou a figura de um garoto sentado no chão, de pernas cruzadas, concentrado no que lhe parecia ser uma canção. Então ela resolveu aproximar-se para ouvir melhor.

I wonder what it's like to be loved by you 
I wonder what it's like to be home 
And I don't walk when there's a stone in my shoe 
All I know that in time I'll be fine

O garoto percebeu que estava sendo observado, tirou os olhos do violão e encarou a figura feminina já bastante próxima dele. - Brittany? O que você está fazendo aqui? – Daniel perguntou, colocando o violão ao lado. – Eu... Você não...
- Pode continuar tocando. Eu gosto da sua voz. – Brittany disse, sentando ao seu lado na areia. – E o momento é bem apropriado.
- Mas é que... Droga. Você meio que estragou tudo. – ele balançou a cabeça e riu. – Era pra ser uma surpresa, eu ia mostrar pra você em outra ocasião...
- Uma surpresa? Pra mim? – ela perguntou, sorrindo e olhando surpresa para ele. – Wow. Mas a letra é...
O garoto suspirou, pegou em uma das mãos dela e a encarou profundamente.
- É como eu me sinto. Mais do que um amigo.
Brittany olhou para as mãos dos dois, tirou a sua dali e ele suspirou novamente. A garota passou a mão nos cabelos, encabulada.
- Daniel, eu não sei o que dizer...
Daniel levantou, deu uma limpada em seu calção que estava cheio de areia, e estendeu uma das mãos para a garota, que continuava sentada.
- Vem. – ele pediu, sem muita cerimônia.
Ela o encarou por alguns instantes, mas pouco tempo depois estendeu a mão, fazendo com que ele a levantasse. Deu uma limpada em seu short, que também estava cheio de areia, e continuou segurando a mão do garoto. Daniel largou a mão dela e, em seguida, deu a volta e a abraçou por trás. Seus braços a envolviam em um misto de delicadeza e força. Ele encaixou seu nariz na curva do pescoço de Brittany e aspirou seu perfume, que parecia o inebriar. A garota se arrepiou e fechou os olhos.
- Você sabe que nunca fomos só amigos. – o garoto disse, após alguns segundos. Ele continuava a abraçando por trás. Ela, por fim, segurou os braços dele com força e suspirou.
- Eu sempre te amei. – Brittany disse e o garoto sorriu, satisfeito. Com calma, ele a virou e a fez fitá-lo. O olhar da garota ainda estava um pouco baixo, então Daniel levantou delicadamente seu queixo, fazendo Brittany encontrar seus olhos. Ele acariciou delicadamente uma de suas bochechas, e a viu fechar os olhos. Daniel fechou os seus olhos também e começou a se aproximar aos poucos.
O garoto sentiu duas mãos hesitantes e ao mesmo tempo ansiosas envolverem seu pescoço. Ele apertou mais seus braços em volta da cintura de Brittany e desfez de uma vez por todas o espaço que havia entre os dois, colando seus lábios calmamente nos dela. A língua dele pediu passagem e logo foi acolhida pela dela, que acabou se entregando definitivamente ao momento.
O beijo começou calmo, mas logo foi tomando proporções maiores. As bocas, as línguas, tudo parecia se encaixar perfeitamente. Era como se eles estivessem destinados um ao outro. Em volta, só o que se ouvia eram os pássaros voando por toda a praia, que já estava mais escura. O sol se despedida e as ondas quebravam na margem sem tanta violência. Nada precisava ser dito.