Eu estava para escrever sobre a viagem que fiz para a Europa em janeiro deste ano desde que voltei, no final de fevereiro. Abril começou e eu ainda não escrevi nada sobre a minha estadia em Londres, com passadas rápidas em Manchester e Liverpool, mais três dias em Amsterdam e outros três em Paris. Mas agora, sim, eu irei escrever. Saí do Brasil dia 21 de janeiro, despachei uma grande mala e fui para o avião com uma mochila nas costas e cheia de expectativas. Foi a primeira viagem que fiz sozinha. Já tinha viajado de avião outras vezes, mas nunca sozinha. Deu frio na barriga? Deu. Quando eu entrei naquele imenso avião da TAP Portugal - super confortável, com direito a travesseiros e cobertores embalados em plásticos e pequenos monitores para ver seriados, filmes, ouvir música e até mesmo acompanhar o trajeto do avião -, eu percebi que realmente estava sozinha. A partir daquele momento, a viagem começou de fato.
Foram várias horas de voo de Porto Alegre a Lisboa - eu chegaria primeiro lá, por volta de 10h a 12h. Dormi como pude, sem apagar completamente em nenhum momento. A ansiedade era maior e, mesmo assim, nunca consigo dormir direito em avião ou ônibus. Cheguei em Lisboa, checaram rapidamente meu passaporte e eu saí do aeroporto. Espera um pouco, saí do aeroporto? Pois é, acabei entrando num ônibus que nos levaria a outro avião, da Portugália, provavelmente parceira da TAP. Longa espera no ônibus, até ele finalmente andar e nos levar até o avião, agora com destino a Londres.
Resumindo um pouco essa longa viagem de ida, pousei em Londres, passei tranquilamente pela imigração (depois de ter lido tantas coisas que me deixaram preocupada, percebi que foi besteira ter pensado tanto nisso antes de viajar), tudo ok. Então eu vou buscar a grande mala que despachei em Porto Alegre, mas... SURPRESA, nenhuma mala de Porto Alegre havia chegado! Segundo o guichê, todas elas ainda estavam "em trânsito". O que me consolou um pouco foi o fato de eu não ter sido a única a sofrer com isso. E eu fiquei realmente orgulhosa de mim por encarar esse contratempo de cabeça erguida, mesmo estando sozinha e bem longe de casa. Mais precisamente em outro continente, do outro lado do oceano. Mas a mala acabou chegando na residência algumas horas depois, no final deu tudo certo.
Posso definir a viagem toda, de Londres a Paris, em uma palavra: INESQUECÍVEL.
Posso, também, defini-la em uma frase: Melhor experiência da minha vida até hoje.
E após voltar da minha viagem, eu estou passando pelo que se pode chamar de Depressão Pós-Europa ou até mesmo Depressão Pós-Londres. E sinto que ela vai durar um bom tempo.

@ Westminster / London, UK / 2012
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