(Lívia Hoffmann, 2002)
Brota no centro da cidade
uma pequena rua,
é uma menina, ainda descalça.
As casas em colunas brincam
umas com as outras, dançam.
Há uma que chama a atenção pela sua pintura velha, desgastada.
Ela lembra uma igreja recém-construída.
Há uma praça com uma gruta,
onde sinto o aroma forte e queimado de vela.
Há árvores onde brotam pequenas frutas doces que como diariamente,
e milhões de pássaros que com seus cantos suaves nos encantam.
Os ventos fortes e frios do inverno agitam as folhas das árvores mais altas,
e também as roupas dos varais dos vizinhos.
A cada instante vemos veículos e motocicletas passando na rua.
Nas calçadas, passam pessoas que vão cumprir seus compromissos.
Os dias de chuva fazem os pátios das casas inundarem,
e vez ou outra se vê os carros passarem.
Escuta-se o som de uma banda de rock com suas músicas animadas e divertidas.
Um homem toca saxofone.
Quando chega à tardinha, os carros passam apressadamente com seus faróis ligados,
que iluminam a rua em noite de lua cheia.
E eles passam cada vez mais rapidamente...
Se estivessem com menos pressa, talvez ouvissem a música.
Talvez parassem para dançar e escutar o som do canto suave dos pássaros.
O som da vida.
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