sábado, 28 de novembro de 2009

Minha rua

(Lívia Hoffmann, 2002)

Brota no centro da cidade
uma pequena rua,
é uma menina, ainda descalça.

As casas em colunas brincam
umas com as outras, dançam.
Há uma que chama a atenção pela sua pintura velha, desgastada.
Ela lembra uma igreja recém-construída.

Há uma praça com uma gruta,
onde sinto o aroma forte e queimado de vela.
Há árvores onde brotam pequenas frutas doces que como diariamente,
e milhões de pássaros que com seus cantos suaves nos encantam.

Os ventos fortes e frios do inverno agitam as folhas das árvores mais altas,
e também as roupas dos varais dos vizinhos.

A cada instante vemos veículos e motocicletas passando na rua.
Nas calçadas, passam pessoas que vão cumprir seus compromissos.

Os dias de chuva fazem os pátios das casas inundarem,
e vez ou outra se vê os carros passarem.

Escuta-se o som de uma banda de rock com suas músicas animadas e divertidas.
Um homem toca saxofone.

Quando chega à tardinha, os carros passam apressadamente com seus faróis ligados,
que iluminam a rua em noite de lua cheia.

E eles passam cada vez mais rapidamente...

Se estivessem com menos pressa, talvez ouvissem a música.
Talvez parassem para dançar e escutar o som do canto suave dos pássaros.

O som da vida.

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