Janeiro, 2012. E lá estava eu, no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, me preparando para fazer A Viagem da Minha Vida – para a Europa. Sozinha. Pela primeira vez na vida. Total e completamente sozinha. “All by myself”, como diria Celine Dion. Estava na companhia de minha mãe e de uma prima do meu pai. Encontrei uma amigas e também conversei com elas. Enfim, curti o tempo que pude antes de embarcar em um voo longo e solitário por oito horas. Oito longas horas que me separavam do continente da minha vida, da terra da rainha. Do lugar que eu sonhei em conhecer por quase 11 anos.
Lembro até hoje de quando comecei o curso de inglês britânico... Não é só uma frase de efeito, eu realmente lembro. É claro que as imagens não são muito claras, pois estou falando de muitos anos atrás, mas eu lembro. Eu odiava inglês. Na verdade, eu acho que odiava porque não conseguia entender. Inglês era difícil. Até eu começar a fazer curso particular, no início de 2001. Não me lembro o mês, mas foi bem no início do ano. Meu amor pela Europa, mais precisamente pela Inglaterra e por Londres, surgiu ali.
E logo eu suspirava toda aula quando tinha que abrir o livro e via imagens da cidade que eu nunca mais ia esquecer. Londres. Tudo aconteceu aos poucos, quando vi, já estava apaixonada por um lugar no mundo que eu não fazia ideia de quando ia conhecer. Mas eu sabia que isso ia acontecer, uma hora ou outra. E aconteceu. Quase 11 anos depois.
Hoje eu não consigo mais imaginar minha vida sem a Inglaterra. Eu já sei como é lá. Não só fui para Londres, como também para outras cidades e até mesmo a outros países da Europa, mas eu preciso voltar. E depois disso tudo, comprovei uma coisa: eu realmente nasci no continente errado.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Side A / Side B
A) Eu sou a pessoa mais estranha que conheço. Às vezes estou bem humorada, socializando numa frequência até que saudável e um tanto quanto receptiva de um modo geral, mas, do nada, posso ficar o oposto disso. E também posso amar e odiar as coisas, variar entre os dois extremos, com uma facilidade muito grande. Acredito que isso aconteça com muitas pessoas, mas devido ao fato de eu ser reflexiva demais, profunda demais, estranha demais mesmo, acho que penso nisso mais frequentemente do que as outras pessoas. Ou talvez eu me superestime quando falo sobre tudo isso. Como se só eu fosse assim, como se o mundo devesse parar e apreciar minhas características e atitudes um tanto quanto excêntricas, mas eu tenho essa necessidade de supervalorizar algumas coisas em mim. Mesmo que sejam aspectos não tão positivos. Acho que faço isso para suprir algum tipo de carência interna, só não sei exatamente qual seria.
B) Hoje eu percebi que meu ano foi muito bom até agora, muito obrigada. Mas fica até estranho elogiar 2012, quando o que eu queria era fazer como a maioria e dizer que foi horrível. Isso mesmo, queria agir como a maioria, não queria ser a diferente. Não nisso. Porque reclamar das coisas é confortável, elogiar é tedioso. Elogiar não muda nada, reclamar dá mais prazer. Reclamar de tudo e de todos é divertido, é só pensar em um assunto mais ou menos polêmico e mandar ver. Usar palavrões, expressões grosseiras, xingar mesmo. Mas hoje eu me encontro aqui, a apenas 13 semanas do Natal, e não estou dando a mínima para isso. Quase não tenho do que reclamar. E quando reclamo de algo, é besteira, não merecia a minha atenção. Mas veremos o que ainda me aguarda esse ano...
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Para sempre menina
Síndrome de Peter Pan, também conhecida como desprezo, não-aceitação ou relutância à ideia de crescer. Muitas pessoas, em determinado estágio da vida, passam a não querer ficarem mais velhas. Depois de uma certa idade, não é mais questão de crescer no sentido literal da palavra, na altura. É crescer como pessoa e passar a adquirir comportamentos mais adequados pra idade. Uma pessoa de 16 anos não pensa como uma de 12, assim como uma de 23 não pensa como uma de 16. Isso teoricamente, pois nem sempre é assim.
Atitudes e comportamentos são os verdadeiros medidores de idade, muitas vezes apontando uma idade inferior ou superior a que a pessoa realmente deve ter. Na maioria das vezes, crianças querem ser adolescentes ou adultas de uma vez, adolescentes querem ser adultos... E os adultos? Fariam de tudo para voltar à adolescência ou a infância. Mas há aqueles que nem sabem direito o que são, estão em algum período indefinido entre a adolescência e a fase adulta. É assim com muitas pessoas. Mas por que crescer chega a um ponto em que não agrada mais? Mais responsabilidades, mais trabalho, menos diversão, menos aventuras? Por que deveria ser assim? Não há uma resposta específica, mas é fato que crescer dá medo.
Quando se é criança ou adolescente, não se pensa direito nas partes mais complicadas da questão. O que se quer é "ser adulto" e "ter direitos como adultos" e ponto. É só isso que importa. Mas quando, finalmente, é chegada a hora de agir como o adulto que se tornou, muitos ficam amedrontados e acabam se agarrando a valores que adiarão tomadas importantes de decisões. Que os farão ficarem no estágio anterior, adolescência, por mais tempo. Mas o tempo passa, e não vai esperar ninguém acompanhá-lo. Cabe à pessoa apertar o passo e seguir em frente. Quem disse que a vida de adulto precisa ser chata? Além do mais, quem disse que as pessoas são necessariamente apenas adultas?
Adultos são mais sábios, possuem mais experiências (na teoria), mas podem possuir características de adolescentes também. Até mesmo de crianças. Não há, de um modo geral, problemas em carregar características dos estágios anteriores à fase adulta consigo. O problema está em não querer ser adulto, em negar que se está crescendo e esnobar a ideia como se ela fosse inaceitável. É preciso encarar de frente, sem criar subterfúgios. É preciso aceitar. O tempo não espera por decisões.
Atitudes e comportamentos são os verdadeiros medidores de idade, muitas vezes apontando uma idade inferior ou superior a que a pessoa realmente deve ter. Na maioria das vezes, crianças querem ser adolescentes ou adultas de uma vez, adolescentes querem ser adultos... E os adultos? Fariam de tudo para voltar à adolescência ou a infância. Mas há aqueles que nem sabem direito o que são, estão em algum período indefinido entre a adolescência e a fase adulta. É assim com muitas pessoas. Mas por que crescer chega a um ponto em que não agrada mais? Mais responsabilidades, mais trabalho, menos diversão, menos aventuras? Por que deveria ser assim? Não há uma resposta específica, mas é fato que crescer dá medo.
Quando se é criança ou adolescente, não se pensa direito nas partes mais complicadas da questão. O que se quer é "ser adulto" e "ter direitos como adultos" e ponto. É só isso que importa. Mas quando, finalmente, é chegada a hora de agir como o adulto que se tornou, muitos ficam amedrontados e acabam se agarrando a valores que adiarão tomadas importantes de decisões. Que os farão ficarem no estágio anterior, adolescência, por mais tempo. Mas o tempo passa, e não vai esperar ninguém acompanhá-lo. Cabe à pessoa apertar o passo e seguir em frente. Quem disse que a vida de adulto precisa ser chata? Além do mais, quem disse que as pessoas são necessariamente apenas adultas?
Adultos são mais sábios, possuem mais experiências (na teoria), mas podem possuir características de adolescentes também. Até mesmo de crianças. Não há, de um modo geral, problemas em carregar características dos estágios anteriores à fase adulta consigo. O problema está em não querer ser adulto, em negar que se está crescendo e esnobar a ideia como se ela fosse inaceitável. É preciso encarar de frente, sem criar subterfúgios. É preciso aceitar. O tempo não espera por decisões.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
I wonder what it's like to fly so high
Música: Walk In the Sun - McFly
Devia ser por volta de 7 da noite e o mar estava mais calmo. As ondas quebravam na margem sem fazer tanto barulho, tornando a paisagem em geral realmente agradável. O sol começava a se pôr no horizonte e alguns pássaros voavam. Os acordes de uma música começaram a soar sem aviso prévio. A garota, que andava descalça próxima ao mar, com as sandálias em mãos e o cabelo solto, voando conforme o vento batia, olhou para trás. Avistou a figura de um garoto sentado no chão, de pernas cruzadas, concentrado no que lhe parecia ser uma canção. Então ela resolveu aproximar-se para ouvir melhor.
I wonder what it's like to be loved by you
I wonder what it's like to be home
And I don't walk when there's a stone in my shoe
All I know that in time I'll be fine
O garoto percebeu que estava sendo observado, tirou os olhos do violão e encarou a figura feminina já bastante próxima dele. - Brittany? O que você está fazendo aqui? – Daniel perguntou, colocando o violão ao lado. – Eu... Você não...
- Pode continuar tocando. Eu gosto da sua voz. – Brittany disse, sentando ao seu lado na areia. – E o momento é bem apropriado.
- Mas é que... Droga. Você meio que estragou tudo. – ele balançou a cabeça e riu. – Era pra ser uma surpresa, eu ia mostrar pra você em outra ocasião...
- Uma surpresa? Pra mim? – ela perguntou, sorrindo e olhando surpresa para ele. – Wow. Mas a letra é...
O garoto suspirou, pegou em uma das mãos dela e a encarou profundamente.
- É como eu me sinto. Mais do que um amigo.
Brittany olhou para as mãos dos dois, tirou a sua dali e ele suspirou novamente. A garota passou a mão nos cabelos, encabulada.
- Daniel, eu não sei o que dizer...
Daniel levantou, deu uma limpada em seu calção que estava cheio de areia, e estendeu uma das mãos para a garota, que continuava sentada.
- Vem. – ele pediu, sem muita cerimônia.
Ela o encarou por alguns instantes, mas pouco tempo depois estendeu a mão, fazendo com que ele a levantasse. Deu uma limpada em seu short, que também estava cheio de areia, e continuou segurando a mão do garoto. Daniel largou a mão dela e, em seguida, deu a volta e a abraçou por trás. Seus braços a envolviam em um misto de delicadeza e força. Ele encaixou seu nariz na curva do pescoço de Brittany e aspirou seu perfume, que parecia o inebriar. A garota se arrepiou e fechou os olhos.
- Você sabe que nunca fomos só amigos. – o garoto disse, após alguns segundos. Ele continuava a abraçando por trás. Ela, por fim, segurou os braços dele com força e suspirou.
- Eu sempre te amei. – Brittany disse e o garoto sorriu, satisfeito. Com calma, ele a virou e a fez fitá-lo. O olhar da garota ainda estava um pouco baixo, então Daniel levantou delicadamente seu queixo, fazendo Brittany encontrar seus olhos. Ele acariciou delicadamente uma de suas bochechas, e a viu fechar os olhos. Daniel fechou os seus olhos também e começou a se aproximar aos poucos.
O garoto sentiu duas mãos hesitantes e ao mesmo tempo ansiosas envolverem seu pescoço. Ele apertou mais seus braços em volta da cintura de Brittany e desfez de uma vez por todas o espaço que havia entre os dois, colando seus lábios calmamente nos dela. A língua dele pediu passagem e logo foi acolhida pela dela, que acabou se entregando definitivamente ao momento.
O beijo começou calmo, mas logo foi tomando proporções maiores. As bocas, as línguas, tudo parecia se encaixar perfeitamente. Era como se eles estivessem destinados um ao outro. Em volta, só o que se ouvia eram os pássaros voando por toda a praia, que já estava mais escura. O sol se despedida e as ondas quebravam na margem sem tanta violência. Nada precisava ser dito.
Devia ser por volta de 7 da noite e o mar estava mais calmo. As ondas quebravam na margem sem fazer tanto barulho, tornando a paisagem em geral realmente agradável. O sol começava a se pôr no horizonte e alguns pássaros voavam. Os acordes de uma música começaram a soar sem aviso prévio. A garota, que andava descalça próxima ao mar, com as sandálias em mãos e o cabelo solto, voando conforme o vento batia, olhou para trás. Avistou a figura de um garoto sentado no chão, de pernas cruzadas, concentrado no que lhe parecia ser uma canção. Então ela resolveu aproximar-se para ouvir melhor.
I wonder what it's like to be loved by you
I wonder what it's like to be home
And I don't walk when there's a stone in my shoe
All I know that in time I'll be fine
O garoto percebeu que estava sendo observado, tirou os olhos do violão e encarou a figura feminina já bastante próxima dele. - Brittany? O que você está fazendo aqui? – Daniel perguntou, colocando o violão ao lado. – Eu... Você não...
- Pode continuar tocando. Eu gosto da sua voz. – Brittany disse, sentando ao seu lado na areia. – E o momento é bem apropriado.
- Mas é que... Droga. Você meio que estragou tudo. – ele balançou a cabeça e riu. – Era pra ser uma surpresa, eu ia mostrar pra você em outra ocasião...
- Uma surpresa? Pra mim? – ela perguntou, sorrindo e olhando surpresa para ele. – Wow. Mas a letra é...
O garoto suspirou, pegou em uma das mãos dela e a encarou profundamente.
- É como eu me sinto. Mais do que um amigo.
Brittany olhou para as mãos dos dois, tirou a sua dali e ele suspirou novamente. A garota passou a mão nos cabelos, encabulada.
- Daniel, eu não sei o que dizer...
Daniel levantou, deu uma limpada em seu calção que estava cheio de areia, e estendeu uma das mãos para a garota, que continuava sentada.
- Vem. – ele pediu, sem muita cerimônia.
Ela o encarou por alguns instantes, mas pouco tempo depois estendeu a mão, fazendo com que ele a levantasse. Deu uma limpada em seu short, que também estava cheio de areia, e continuou segurando a mão do garoto. Daniel largou a mão dela e, em seguida, deu a volta e a abraçou por trás. Seus braços a envolviam em um misto de delicadeza e força. Ele encaixou seu nariz na curva do pescoço de Brittany e aspirou seu perfume, que parecia o inebriar. A garota se arrepiou e fechou os olhos.
- Você sabe que nunca fomos só amigos. – o garoto disse, após alguns segundos. Ele continuava a abraçando por trás. Ela, por fim, segurou os braços dele com força e suspirou.
- Eu sempre te amei. – Brittany disse e o garoto sorriu, satisfeito. Com calma, ele a virou e a fez fitá-lo. O olhar da garota ainda estava um pouco baixo, então Daniel levantou delicadamente seu queixo, fazendo Brittany encontrar seus olhos. Ele acariciou delicadamente uma de suas bochechas, e a viu fechar os olhos. Daniel fechou os seus olhos também e começou a se aproximar aos poucos.
O garoto sentiu duas mãos hesitantes e ao mesmo tempo ansiosas envolverem seu pescoço. Ele apertou mais seus braços em volta da cintura de Brittany e desfez de uma vez por todas o espaço que havia entre os dois, colando seus lábios calmamente nos dela. A língua dele pediu passagem e logo foi acolhida pela dela, que acabou se entregando definitivamente ao momento.
O beijo começou calmo, mas logo foi tomando proporções maiores. As bocas, as línguas, tudo parecia se encaixar perfeitamente. Era como se eles estivessem destinados um ao outro. Em volta, só o que se ouvia eram os pássaros voando por toda a praia, que já estava mais escura. O sol se despedida e as ondas quebravam na margem sem tanta violência. Nada precisava ser dito.
sábado, 28 de julho de 2012
A messed place called MIND
She can't understand what she's doing.
Está esperando por algum sinal? Que tipo de sinal? Se tem uma coisa que essa garota faz e muito é se questionar, mesmo que em silêncio. Mesmo que para ela mesma, em seu interior, para que ninguém faça conhecimento da confusão de sentimentos que carrega consigo. Pode parecer que não, mas por dentro há uma voz que cala para que ninguém mais saiba o que se passa com ela. Confuso. Complicado.
Mudanças. Muito já mudou, mas há algo mais a ser mudado? What this girl is waiting for?
Maybe she's not waiting for something, she's just being who she wants and fuck the rest.
She's living her life the way she wants and the rest is just the rest.
Apesar da aceitação, fica a dúvida: vai ser assim para sempre - por mais que o para sempre sempre acabe, como já diria a música -, ou dá para esperar por alguma mudança, uma reviravolta?
Nobody gives a damn.
Nobody cares at all.
She's nobody.
Está esperando por algum sinal? Que tipo de sinal? Se tem uma coisa que essa garota faz e muito é se questionar, mesmo que em silêncio. Mesmo que para ela mesma, em seu interior, para que ninguém faça conhecimento da confusão de sentimentos que carrega consigo. Pode parecer que não, mas por dentro há uma voz que cala para que ninguém mais saiba o que se passa com ela. Confuso. Complicado.
Mudanças. Muito já mudou, mas há algo mais a ser mudado? What this girl is waiting for?
Maybe she's not waiting for something, she's just being who she wants and fuck the rest.
She's living her life the way she wants and the rest is just the rest.
Apesar da aceitação, fica a dúvida: vai ser assim para sempre - por mais que o para sempre sempre acabe, como já diria a música -, ou dá para esperar por alguma mudança, uma reviravolta?
Nobody gives a damn.
Nobody cares at all.
She's nobody.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
The end has NO end
- Você não vai ir embora antes da gente conversar direito! - ouvi uma voz alta e grossa atrás de mim. Ele não estava gritando, mas estava claramente falando alguns decibéis acima do que de costume. Vários decibéis. Respirei fundo e me virei.
- Eu não tenho NADA pra dizer a você, absolutamente NADA. - coloquei força demais na palavra "nada". Sentia meu rosto arder. Ele não podia estar falando sério.
- Mas EU tenho! - ele chegou perto de mim e segurou meus braços com força. - Espera! - me fitou com aqueles olhos azuis, brilhantes, mas amedrontadores. - Podemos resolver isso!
- Me solta? - pedi, sem poder me mexer. Ele soltou meus braços e fez sinal de rendição. Pelo menos isso. - Não estou a fim de ter essa conversa. Não quero tê-la. Me deixa, por favor?
- Molly...
- Eu te machuquei. - levei um dedo de encontro ao meu próprio peito. - Você me machucou. - apontei para ele. - Nós dois saímos machucamos. - apontei para nós. - O melhor que podemos fazer é seguir em frente. Separados.
Ele deixou os ombros caírem, arrasado.
Eu também estava arrasada.
- Amigos, então? - ele estendeu a mão, receoso. Arqueei uma sobrancelha. Ele não podia estar falando sério;
- Eu não posso aceitar isso.
- Então não aceite. - ele fixou seus olhos incrivelmente azuis nos meus e eu não consegui de jeito nenhum desviar. - Você sabe que existe outro caminho.
- Não me coloque nessa encruzilhada. - Alisei meu cabelo, nervosa e mordi o lábio inferior. - Você sabe que essa não é a primeira vez que passamos por isso. E para o nosso bem, é melhor que seja a última.
Ele suspirou pesadamente. Eu continuei alisando o cabelo e olhei para o lado, agora com medo de encará-lo.
- Eu acho que você tem razão. - engoli em seco. Por mais que aquela fosse a atitude que eu esperava dele, foi difícil assimilar. Senti um nó se formar na minha garganta. - Se você acha que é melhor mesmo... - ele deu de ombros, tentando passar indiferença. Mas eu sabia que ele estava fingindo. Por mim.
- Eu não acho melhor, David. Eu acho mais seguro;
- Segurança é melhor que instabilidade. - ele disse, sério. - Por mais que a nossa instabilidade fosse... Bom, deixa pra lá. - abri e fechei a boca algumas vezes, mas som algum saiu dela.
- Eu... Está certo. - finalmente disse, com uma segurança vinda sabe Deus de onde. - Obrigada por entender. - falei, olhando para o chão.
- Você não consegue nem me encarar.
- David, não torne tudo pior. - pedi, com a voz um pouco tremida. Onde estava a segurança agora? Tinha sumido.
- Tudo bem, Molly. Eu só quero que você saiba que o que tivemos foi especial. Esse relacionamento foi o melhor que eu já tive na vida. Só quero que você... saiba disso. - ele finalizou, me encarando de forma intimidadora. Este parecia ser o dom dele. Encarar e intimidar pessoas.
- Adeus, David.
- Adeus, Molly.
Os dois viraram em direções opostas.
- Até breve, pequena. - David disse para si, com um ar esperançoso.
- Te vejo logo mais, Dave. - Molly sussurrou, esboçando um sorriso.
Fim?
- Eu não tenho NADA pra dizer a você, absolutamente NADA. - coloquei força demais na palavra "nada". Sentia meu rosto arder. Ele não podia estar falando sério.
- Mas EU tenho! - ele chegou perto de mim e segurou meus braços com força. - Espera! - me fitou com aqueles olhos azuis, brilhantes, mas amedrontadores. - Podemos resolver isso!
- Me solta? - pedi, sem poder me mexer. Ele soltou meus braços e fez sinal de rendição. Pelo menos isso. - Não estou a fim de ter essa conversa. Não quero tê-la. Me deixa, por favor?
- Molly...
- Eu te machuquei. - levei um dedo de encontro ao meu próprio peito. - Você me machucou. - apontei para ele. - Nós dois saímos machucamos. - apontei para nós. - O melhor que podemos fazer é seguir em frente. Separados.
Ele deixou os ombros caírem, arrasado.
Eu também estava arrasada.
- Amigos, então? - ele estendeu a mão, receoso. Arqueei uma sobrancelha. Ele não podia estar falando sério;
- Eu não posso aceitar isso.
- Então não aceite. - ele fixou seus olhos incrivelmente azuis nos meus e eu não consegui de jeito nenhum desviar. - Você sabe que existe outro caminho.
- Não me coloque nessa encruzilhada. - Alisei meu cabelo, nervosa e mordi o lábio inferior. - Você sabe que essa não é a primeira vez que passamos por isso. E para o nosso bem, é melhor que seja a última.
Ele suspirou pesadamente. Eu continuei alisando o cabelo e olhei para o lado, agora com medo de encará-lo.
- Eu acho que você tem razão. - engoli em seco. Por mais que aquela fosse a atitude que eu esperava dele, foi difícil assimilar. Senti um nó se formar na minha garganta. - Se você acha que é melhor mesmo... - ele deu de ombros, tentando passar indiferença. Mas eu sabia que ele estava fingindo. Por mim.
- Eu não acho melhor, David. Eu acho mais seguro;
- Segurança é melhor que instabilidade. - ele disse, sério. - Por mais que a nossa instabilidade fosse... Bom, deixa pra lá. - abri e fechei a boca algumas vezes, mas som algum saiu dela.
- Eu... Está certo. - finalmente disse, com uma segurança vinda sabe Deus de onde. - Obrigada por entender. - falei, olhando para o chão.
- Você não consegue nem me encarar.
- David, não torne tudo pior. - pedi, com a voz um pouco tremida. Onde estava a segurança agora? Tinha sumido.
- Tudo bem, Molly. Eu só quero que você saiba que o que tivemos foi especial. Esse relacionamento foi o melhor que eu já tive na vida. Só quero que você... saiba disso. - ele finalizou, me encarando de forma intimidadora. Este parecia ser o dom dele. Encarar e intimidar pessoas.
- Adeus, David.
- Adeus, Molly.
Os dois viraram em direções opostas.
- Até breve, pequena. - David disse para si, com um ar esperançoso.
- Te vejo logo mais, Dave. - Molly sussurrou, esboçando um sorriso.
Fim?
domingo, 20 de maio de 2012
Whatever will be, will be
Ele
Coloquei as mãos nos bolsos. Elas estavam gélidas, mas logo ficaram aquecidas. Respirei fundo uma, duas vezes. Soltei o ar calmamente, apreciando o vapor que se formava com o ar quente vindo de mim e o frio da rua. Caminhei lentamente. Senti a garganta trancada, como se precisasse falar algo. Como se precisasse gritar. Eu precisava gritar para todo mundo que aquilo estava errado. Muito errado.
Ela
Sentei no sofá. Senti o cheiro dele no lençol ali estendido e logo algumas lágrimas pediram passagem, mas tratei de engolir o choro. Eu não podia chorar. Eu não podia permitir isso. Força. Era disso que eu precisava. Fui à cozinha e servi um copo de água. Tentei bebê-la tranquilamente. Respirei fundo. Voltei para a sala.
Ele e Ela
Algo precisa ser feito!
Ele
Criei coragem e voltei pra frente daquela casa. Me aproximei calmamente dos degraus que me separavam da porta. Pisei em um, em outro. No último, quase desisti. Mas segui avançando até terminar o curto caminho. Estiquei o braço, hesitante. E depois afastei. Aproximei-o novamente e, dessa vez, toquei na maçaneta.
Ela
Eu estava num vaivém desgastante, aproximando e afastando minha mão da maçaneta. Quando, finalmente, toquei nela, não pensei duas vezes e a girei.
Ele
Antes de conseguir tomar qualquer atitude, vi que a maçaneta da porta já estava sendo girada por dentro. Dei dois passos para trás, assustado, e vi a porta se abrir. E lá estava ela, tão bonita e serena quanto há 15 minutos.
- Eu... Não sei o que está havendo. - ele disse, coçando a nuca, sem jeito. - Olha...
- Não. Por favor, não fale nada. - ela pediu. - Eu preciso de você. A questão é: você também precisa de mim?
- Nunca precisei tanto de alguém na minha vida.
Recomeçar. Por que não?
Coloquei as mãos nos bolsos. Elas estavam gélidas, mas logo ficaram aquecidas. Respirei fundo uma, duas vezes. Soltei o ar calmamente, apreciando o vapor que se formava com o ar quente vindo de mim e o frio da rua. Caminhei lentamente. Senti a garganta trancada, como se precisasse falar algo. Como se precisasse gritar. Eu precisava gritar para todo mundo que aquilo estava errado. Muito errado.
Ela
Sentei no sofá. Senti o cheiro dele no lençol ali estendido e logo algumas lágrimas pediram passagem, mas tratei de engolir o choro. Eu não podia chorar. Eu não podia permitir isso. Força. Era disso que eu precisava. Fui à cozinha e servi um copo de água. Tentei bebê-la tranquilamente. Respirei fundo. Voltei para a sala.
Ele e Ela
Algo precisa ser feito!
Ele
Criei coragem e voltei pra frente daquela casa. Me aproximei calmamente dos degraus que me separavam da porta. Pisei em um, em outro. No último, quase desisti. Mas segui avançando até terminar o curto caminho. Estiquei o braço, hesitante. E depois afastei. Aproximei-o novamente e, dessa vez, toquei na maçaneta.
Ela
Eu estava num vaivém desgastante, aproximando e afastando minha mão da maçaneta. Quando, finalmente, toquei nela, não pensei duas vezes e a girei.
Ele
Antes de conseguir tomar qualquer atitude, vi que a maçaneta da porta já estava sendo girada por dentro. Dei dois passos para trás, assustado, e vi a porta se abrir. E lá estava ela, tão bonita e serena quanto há 15 minutos.
- Eu... Não sei o que está havendo. - ele disse, coçando a nuca, sem jeito. - Olha...
- Não. Por favor, não fale nada. - ela pediu. - Eu preciso de você. A questão é: você também precisa de mim?
- Nunca precisei tanto de alguém na minha vida.
Recomeçar. Por que não?
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