quinta-feira, 2 de agosto de 2012

I wonder what it's like to fly so high

Música: Walk In the Sun - McFly

Devia ser por volta de 7 da noite e o mar estava mais calmo. As ondas quebravam na margem sem fazer tanto barulho, tornando a paisagem em geral realmente agradável. O sol começava a se pôr no horizonte e alguns pássaros voavam. Os acordes de uma música começaram a soar sem aviso prévio. A garota, que andava descalça próxima ao mar, com as sandálias em mãos e o cabelo solto, voando conforme o vento batia, olhou para trás. Avistou a figura de um garoto sentado no chão, de pernas cruzadas, concentrado no que lhe parecia ser uma canção. Então ela resolveu aproximar-se para ouvir melhor.

I wonder what it's like to be loved by you 
I wonder what it's like to be home 
And I don't walk when there's a stone in my shoe 
All I know that in time I'll be fine

O garoto percebeu que estava sendo observado, tirou os olhos do violão e encarou a figura feminina já bastante próxima dele. - Brittany? O que você está fazendo aqui? – Daniel perguntou, colocando o violão ao lado. – Eu... Você não...
- Pode continuar tocando. Eu gosto da sua voz. – Brittany disse, sentando ao seu lado na areia. – E o momento é bem apropriado.
- Mas é que... Droga. Você meio que estragou tudo. – ele balançou a cabeça e riu. – Era pra ser uma surpresa, eu ia mostrar pra você em outra ocasião...
- Uma surpresa? Pra mim? – ela perguntou, sorrindo e olhando surpresa para ele. – Wow. Mas a letra é...
O garoto suspirou, pegou em uma das mãos dela e a encarou profundamente.
- É como eu me sinto. Mais do que um amigo.
Brittany olhou para as mãos dos dois, tirou a sua dali e ele suspirou novamente. A garota passou a mão nos cabelos, encabulada.
- Daniel, eu não sei o que dizer...
Daniel levantou, deu uma limpada em seu calção que estava cheio de areia, e estendeu uma das mãos para a garota, que continuava sentada.
- Vem. – ele pediu, sem muita cerimônia.
Ela o encarou por alguns instantes, mas pouco tempo depois estendeu a mão, fazendo com que ele a levantasse. Deu uma limpada em seu short, que também estava cheio de areia, e continuou segurando a mão do garoto. Daniel largou a mão dela e, em seguida, deu a volta e a abraçou por trás. Seus braços a envolviam em um misto de delicadeza e força. Ele encaixou seu nariz na curva do pescoço de Brittany e aspirou seu perfume, que parecia o inebriar. A garota se arrepiou e fechou os olhos.
- Você sabe que nunca fomos só amigos. – o garoto disse, após alguns segundos. Ele continuava a abraçando por trás. Ela, por fim, segurou os braços dele com força e suspirou.
- Eu sempre te amei. – Brittany disse e o garoto sorriu, satisfeito. Com calma, ele a virou e a fez fitá-lo. O olhar da garota ainda estava um pouco baixo, então Daniel levantou delicadamente seu queixo, fazendo Brittany encontrar seus olhos. Ele acariciou delicadamente uma de suas bochechas, e a viu fechar os olhos. Daniel fechou os seus olhos também e começou a se aproximar aos poucos.
O garoto sentiu duas mãos hesitantes e ao mesmo tempo ansiosas envolverem seu pescoço. Ele apertou mais seus braços em volta da cintura de Brittany e desfez de uma vez por todas o espaço que havia entre os dois, colando seus lábios calmamente nos dela. A língua dele pediu passagem e logo foi acolhida pela dela, que acabou se entregando definitivamente ao momento.
O beijo começou calmo, mas logo foi tomando proporções maiores. As bocas, as línguas, tudo parecia se encaixar perfeitamente. Era como se eles estivessem destinados um ao outro. Em volta, só o que se ouvia eram os pássaros voando por toda a praia, que já estava mais escura. O sol se despedida e as ondas quebravam na margem sem tanta violência. Nada precisava ser dito.

sábado, 28 de julho de 2012

A messed place called MIND

She can't understand what she's doing.

Está esperando por algum sinal? Que tipo de sinal? Se tem uma coisa que essa garota faz e muito é se questionar, mesmo que em silêncio. Mesmo que para ela mesma, em seu interior, para que ninguém faça conhecimento da confusão de sentimentos que carrega consigo. Pode parecer que não, mas por dentro há uma voz que cala para que ninguém mais saiba o que se passa com ela. Confuso. Complicado.

Mudanças. Muito já mudou, mas há algo mais a ser mudado? What this girl is waiting for?

Maybe she's not waiting for something, she's just being who she wants and fuck the rest.
She's living her life the way she wants and the rest is just the rest.

Apesar da aceitação, fica a dúvida: vai ser assim para sempre - por mais que o para sempre sempre acabe, como já diria a música -, ou dá para esperar por alguma mudança, uma reviravolta?

Nobody gives a damn.
Nobody cares at all.

She's nobody.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

The end has NO end

- Você não vai ir embora antes da gente conversar direito! - ouvi uma voz alta e grossa atrás de mim. Ele não estava gritando, mas estava claramente falando alguns decibéis acima do que de costume. Vários decibéis. Respirei fundo e me virei.
- Eu não tenho NADA pra dizer a você, absolutamente NADA. - coloquei força demais na palavra "nada". Sentia meu rosto arder. Ele não podia estar falando sério.
- Mas EU tenho! - ele chegou perto de mim e segurou meus braços com força. - Espera! - me fitou com aqueles olhos azuis, brilhantes, mas amedrontadores. - Podemos resolver isso!
- Me solta? - pedi, sem poder me mexer. Ele soltou meus braços e fez sinal de rendição. Pelo menos isso. - Não estou a fim de ter essa conversa. Não quero tê-la. Me deixa, por favor?
- Molly...
- Eu te machuquei. - levei um dedo de encontro ao meu próprio peito. - Você me machucou. - apontei para ele. - Nós dois saímos machucamos. - apontei para nós. - O melhor que podemos fazer é seguir em frente. Separados.
Ele deixou os ombros caírem, arrasado.
Eu também estava arrasada.
- Amigos, então? - ele estendeu a mão, receoso. Arqueei uma sobrancelha. Ele não podia estar falando sério;
- Eu não posso aceitar isso.
- Então não aceite. - ele fixou seus olhos incrivelmente azuis nos meus e eu não consegui de jeito nenhum desviar. - Você sabe que existe outro caminho.
- Não me coloque nessa encruzilhada. - Alisei meu cabelo, nervosa e mordi o lábio inferior. - Você sabe que essa não é a primeira vez que passamos por isso. E para o nosso bem, é melhor que seja a última.
Ele suspirou pesadamente. Eu continuei alisando o cabelo e olhei para o lado, agora com medo de encará-lo.
- Eu acho que você tem razão. - engoli em seco. Por mais que aquela fosse a atitude que eu esperava dele, foi difícil assimilar. Senti um nó se formar na minha garganta. - Se você acha que é melhor mesmo... - ele deu de ombros, tentando passar indiferença. Mas eu sabia que ele estava fingindo. Por mim.
- Eu não acho melhor, David. Eu acho mais seguro;
- Segurança é melhor que instabilidade. - ele disse, sério. - Por mais que a nossa instabilidade fosse... Bom, deixa pra lá. - abri e fechei a boca algumas vezes, mas som algum saiu dela.
- Eu... Está certo. - finalmente disse, com uma segurança vinda sabe Deus de onde. - Obrigada por entender. - falei, olhando para o chão.
- Você não consegue nem me encarar.
- David, não torne tudo pior. - pedi, com a voz um pouco tremida. Onde estava a segurança agora? Tinha sumido.
- Tudo bem, Molly. Eu só quero que você saiba que o que tivemos foi especial. Esse relacionamento foi o melhor que eu já tive na vida. Só quero que você... saiba disso. - ele finalizou, me encarando de forma intimidadora. Este parecia ser o dom dele. Encarar e intimidar pessoas.
- Adeus, David.
- Adeus, Molly.

Os dois viraram em direções opostas.

- Até breve, pequena. - David disse para si, com um ar esperançoso.
- Te vejo logo mais, Dave. - Molly sussurrou, esboçando um sorriso.

Fim?

domingo, 20 de maio de 2012

Whatever will be, will be

Ele

Coloquei as mãos nos bolsos. Elas estavam gélidas, mas logo ficaram aquecidas. Respirei fundo uma, duas vezes. Soltei o ar calmamente, apreciando o vapor que se formava com o ar quente vindo de mim e o frio da rua. Caminhei lentamente. Senti a garganta trancada, como se precisasse falar algo. Como se precisasse gritar. Eu precisava gritar para todo mundo que aquilo estava errado. Muito errado.

Ela

Sentei no sofá. Senti o cheiro dele no lençol ali estendido e logo algumas lágrimas pediram passagem, mas tratei de engolir o choro. Eu não podia chorar. Eu não podia permitir isso. Força. Era disso que eu precisava. Fui à cozinha e servi um copo de água. Tentei bebê-la tranquilamente. Respirei fundo. Voltei para a sala.

Ele e Ela

Algo precisa ser feito!

Ele

Criei coragem e voltei pra frente daquela casa. Me aproximei calmamente dos degraus que me separavam da porta. Pisei em um, em outro. No último, quase desisti. Mas segui avançando até terminar o curto caminho. Estiquei o braço, hesitante. E depois afastei. Aproximei-o novamente e, dessa vez, toquei na maçaneta.

Ela

Eu estava num vaivém desgastante, aproximando e afastando minha mão da maçaneta. Quando, finalmente, toquei nela, não pensei duas vezes e a girei.

Ele

Antes de conseguir tomar qualquer atitude,  vi que a maçaneta da porta já estava sendo girada por dentro. Dei dois passos para trás, assustado, e vi a porta se abrir. E lá estava ela, tão bonita e serena quanto há 15 minutos.


- Eu... Não sei o que está havendo. - ele disse, coçando a nuca, sem jeito. - Olha...
- Não. Por favor, não fale nada. - ela pediu. - Eu preciso de você. A questão é: você também precisa de mim?
- Nunca precisei tanto de alguém na minha vida.


Recomeçar. Por que não?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Quero lhe falar, é bom viajar!

Eu estava para escrever sobre a viagem que fiz para a Europa em janeiro deste ano desde que voltei, no final de fevereiro. Abril começou e eu ainda não escrevi nada sobre a minha estadia em Londres, com passadas rápidas em Manchester e Liverpool, mais três dias em Amsterdam e outros três em Paris. Mas agora, sim, eu irei escrever. Saí do Brasil dia 21 de janeiro, despachei uma grande mala e fui para o avião com uma mochila nas costas e cheia de expectativas. Foi a primeira viagem que fiz sozinha. Já tinha viajado de avião outras vezes, mas nunca sozinha. Deu frio na barriga? Deu. Quando eu entrei naquele imenso avião da TAP Portugal - super confortável, com direito a travesseiros e cobertores embalados em plásticos e pequenos monitores para ver seriados, filmes, ouvir música e até mesmo acompanhar o trajeto do avião -, eu percebi que realmente estava sozinha. A partir daquele momento, a viagem começou de fato.
Foram várias horas de voo de Porto Alegre a Lisboa - eu chegaria primeiro lá, por volta de 10h a 12h. Dormi como pude, sem apagar completamente em nenhum momento. A ansiedade era maior e, mesmo assim, nunca consigo dormir direito em avião ou ônibus. Cheguei em Lisboa, checaram rapidamente meu passaporte e eu saí do aeroporto. Espera um pouco, saí do aeroporto? Pois é, acabei entrando num ônibus que nos levaria a outro avião, da Portugália, provavelmente parceira da TAP. Longa espera no ônibus, até ele finalmente andar e nos levar até o avião, agora com destino a Londres.
Resumindo um pouco essa longa viagem de ida, pousei em Londres, passei tranquilamente pela imigração (depois de ter lido tantas coisas que me deixaram preocupada, percebi que foi besteira ter pensado tanto nisso antes de viajar), tudo ok. Então eu vou buscar a grande mala que despachei em Porto Alegre, mas... SURPRESA, nenhuma mala de Porto Alegre havia chegado! Segundo o guichê, todas elas ainda estavam "em trânsito". O que me consolou um pouco foi o fato de eu não ter sido a única a sofrer com isso. E eu fiquei realmente orgulhosa de mim por encarar esse contratempo de cabeça erguida, mesmo estando sozinha e bem longe de casa. Mais precisamente em outro continente, do outro lado do oceano. Mas a mala acabou chegando na residência algumas horas depois, no final deu tudo certo.

Posso definir a viagem toda, de Londres a Paris, em uma palavra: INESQUECÍVEL.
Posso, também, defini-la em uma frase: Melhor experiência da minha vida até hoje.

E após voltar da minha viagem, eu estou passando pelo que se pode chamar de Depressão Pós-Europa ou até mesmo Depressão Pós-Londres. E sinto que ela vai durar um bom tempo.

@ Westminster / London, UK / 2012

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

I miss you and I need you

Amanhã, dia 13 de agosto, o meu pai estaria fazendo 53 anos. Não consigo explicar com palavras a falta que ele faz na minha vida. Era e continua sendo uma das pessoas mais especiais e importantes para mim, isso nunca vai mudar. O tempo vai passar, algumas coisas podem até mudar, mas o meu amor por ele vai continuar crescendo. Não é porque o meu pai não está mais aqui, neste plano, que eu vou passar a me referir a ele como uma pessoa que eu "costumava" amar, como se eu não continuasse fazendo isso.

O meu pai não era a pessoa mais perfeita do mundo, inclusive podia passar longe disso, mas eu o amava com todos os defeitinhos que ele tinha. Sem falar que ele tinha várias qualidades e eu tenho muito orgulho de dizer que herdei algumas. Mas algo que eu herdei, sem qualquer questionamento, foi o temperamento forte. Pavio curto, impaciência... Quando brigávamos, era uma loucura. Mas quando estávamos tranquilos um com o outro, era tudo lindo. Meu pai me paparicava muito, criava neologismos, fazia grandes demonstrações de amor. Era um lindo. É um lindo.

Eu não consigo acreditar que já faz um ano e alguns meses que ele deixou de fazer parte deste plano físico. Que ele deixou de participar da minha vida como minha mãe continua fazendo, que ele não está mais por perto fisicamente para eu contar sobre a faculdade ou qualquer outra coisa. Ele não está mais aqui para abrir os braços no meio da rua e vir em minha direção como se fosse um avião, me fazendo rir e morrer de vergonha, mas ao mesmo tempo ter vontade de fazer o mesmo e gritar "ESSE É O MEU PAI! MORRAM DE INVEJA!". Sempre tive muito orgulho dele.

Não só o dia do aniversário dele está chegando, como também o dia dos pais. Então dá para imaginar o quão desolada eu estou. Menos do que no ano passado, quando estava tudo muito recente, mas ainda assim, estou. Nada vai conseguir trazer o meu pai de volta, nem que seja para dizermos "eu te amo" um para o outro, mais um vez, e nos abraçarmos. Nada. Eu não vou mais receber abraços dele. Mas eu gosto de pensar que ele está sempre por perto ou me cuidando de algum lugar. Na verdade, eu quero e preciso pensar assim.

Quando acontece algo bom na minha vida, gosto de pensar que ele estava ao lado do Cara Lá de Cima e me ajudando naquele momento. Imagino ele sorrindo, reprovando algumas atitudes, mas sempre me vendo e guiando de algum lugar.

Eu não sou mais a mesma sem o meu pai, aquele cara era e continua sendo um dos meus exemplos de vida, o meu grande herói.
Mas eu sei que preciso seguir em frente. Sei que ele quer isso, então é o que estou fazendo: seguindo em frente. Um passo de cada vez, dia após dia.

Então, PAI, onde quer que você esteja, saiba que eu continuo te amando MUITO. Nada, nunca, vai mudar o que eu sinto por você. Nem o tempo.

FELIZ ANIVERSÁRIO (adiantado) E UM MARAVILHOSO DIA DOS PAIS!

EU TE AMO.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

It's cold in the night, but I'm looking for the heat *

A música: I Need A Woman - McFly


- Eu preciso dela! – ele disse, erguendo a cabeça. – Vejamos... – o rapaz deu um gole em sua xícara de leite, deixou-a na mesinha de cabeceira, e voltou a concentrar-se. – Ah, já sei!
- But when it gets to midnight, I'm in my bed alone. You're all I want, you're all I need. – ele cantou, dedilhando algumas notas. Depois, sorriu e anotou tudo. Era aquilo ali mesmo! – Nossa, tá frio! – o rapaz olhou para o lado e notou que sua janela estava escancarada. Levantou-se, resolveu o problema e voltou a deitar-se. – Peraí, é isso!
- It's cold in the night, but I'm looking for the heat. – ele cantou e dedilhou algumas notas novamente, escrevendo-as no caderno em seguida. Respirou fundo e esboçou um sorriso.
Ele colocou seu violão no chão e deixou a caneta e o caderno em cima da mesinha de cabeceira.
– Amanhã eu continuo. – o rapaz disse e apagou a luz, tapando-se até o nariz.

Fazia muito frio naquela noite e ele realmente estava procurando por algum calor.
Calor humano, calor dela.




* Trecho extraído de uma fanfic que estou escrevendo, que eu duvido que algum dia publique.