terça-feira, 1 de março de 2016

O maravilhoso mundo dos memes

Não tem como negar: a internet é uma das melhores coisas que já aconteceu no mundo. Mas ela também pode ser considerada uma das piores por não perdoar nada e nem ninguém. Em um mundo recheado de acontecimentos impactantes, ultimamente nós sempre encontramos um jeito de focar em algum fato curioso e engraçado e fazer com que aquilo jamais seja esquecido. Pois é, eu estou falando dos famosos "memes". Quem não se lembra do polêmico vestido azul e preto/branco e dourado, amplamente discutido há um ano? Ou, mais recentemente, das brincadeiras zoando o ator Leonardo DiCaprio, que finalmente conseguiu ganhar seu primeiro Oscar como Melhor Ator pelo filme The Revenant (O Regresso)? E as inúmeras montagens e gifs com a atriz Glória Pires, completamente perdida na cerimônia do Oscar da TV Globo? Ao que parece, os memes realmente vieram para ficar e ter a certeza de que nada, nunca, caia no esquecimento.

Leonardo DiCaprio e a estatueta

Segundo o InfoEscola, "Meme é um termo criado pelo escritor Richard Dawkins, em seu livro The Selfish Gene (O Gene Egoísta, lançado em 1976) [...]". Entretanto, na informática, "a expressão Memes de Internet é utilizada para caracterizar uma ideia ou conceito, que se difunde através da web rapidamente". E quem são as "cabeças" por trás deles? Isso varia muito. Os memes podem ser criados por pessoas comuns, compartilhados em redes como Facebook e Twitter, ou podem ser usados por empresas para espalhar o chamado "Marketing Viral" (publicidade massiva). Ao ser divulgado incansalvemente, tal fato acaba "virando viral" - outra expressão muito conhecida na internet. Por não necessitar de muitos recursos (acesso a internet, conhecimentos de ferramentas básicas de edição e criatividade são suficientes), os memes podem ser criados por qualquer pessoa. Não precisam de estudo ou experiência. Se a pessoa quiser, abre o editor de sua preferência, escolhe algum fato do momento, zoa daquilo como bem lhe convir e divulga em suas redes. Se ela tiver um bom círculo de amizades, o "meme" pode facilmente viralizar. Mas quando são as grandes empresas a se apoderar da ideia, o fato sempre se espalhará rapidamente. E vai ficar marcado. É só dar alguns cliques no Google para relembrar toda a história do vestido azul e preto/branco e dourado e conferir imagens no acervo sem fim do maior buscador da internet.

Glória Pires, na noite do Oscar 2016

A internet não perdoa mesmo. Para o bem ou para o mal, ela está no cotidiano de praticamente todo mundo. Os famosos que o digam. Se em algum momento se descuidarem (como foi o caso da Glória Pires), podem acabar fazendo a alegria de vários criativos de plantão e tornarem-se os "memes do momento". E mesmo quando não é culpa de ninguém (como Leo sem Oscar e o vestido de cor indefinida), se algo simplesmente cai nas graças dos internautas, não tem quem impeça a proliferação dessas montagens e gifs. Não há limites, não tem como tirar da rede depois e muito menos esquecer. Se eles foram divulgados, estarão para sempre buscáveis, clicáveis e compartilháveis. Eles podem, é claro, ficar obsoletos, mas jamais serão esquecidos. Sempre existirá um cantinho na memória para armazená-los e, em algum momento, acessar e lembrar quando aquilo foi a grande sensação.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Divagações aleatórias

Eu evito pensar. Em várias coisas.

Eu deixo passar. Várias coisas que deveriam me interessar e me impulsionar,
Eu simplesmente deixo passar.

Eu olho para trás, quase todo tempo.
Não consigo deixar para lá o que já passou, sempre encontro uma maneira de voltar,
Para aquele momento,
Revivê-lo diversas vezes em minha mente, não deixá-lo cair no esquecimento.
Sempre encontro uma brecha para voltar atrás, fingir que estou lá, que posso pensar em mudar.

Mas a vida não é feita de passos para trás, não é feita do passado,
Mas será que ela seria melhor se fosse assim?

Eu não sei. Honestamente, eu não faço ideia.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O vestido mais polêmico da interweb

A foto que virou a internet de ponta-cabeça


Sim, meus caros. O vestido É azul e preto, e não branco e dourado. End of discussion.

Mas por que um assunto tão banal gerou tanta polêmica e levantou as mais diversas teorias? Muitas pessoas disseram coisas como: "Quem enxerga azul e preto é 'assim', quem enxerga branco e dourado é 'assado'". O que, no fim das contas, não possui nenhum fundo de verdade. Não tem nada a ver com humor ou estado de espírito. De acordo com a maioria dos sites que estão tentando desvendar este mistério e esclarecer, de uma vez por todas, que o vestido é, DE FATO, azul e preto, as cores realmente podem ser vistas de maneiras diferentes pelas pessoas. Algumas pessoas estão vendo as cores reais do vestido, azul e preto, outras estão sendo "enganadas" pelos próprios olhos e enxergam branco e dourado. A explicação mais detalhada pode ser lida aqui: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/02/consultor-do-bem-estar-fala-sobre-vestido-misterioso-que-muda-de-cor.html

Eu, por exemplo, só consigo enxergar azul e preto. Nem nas fotos mais manipuladas, que tentam "balancear" as cores para elas ficarem em tons que remetem ao branco e ao dourado, eu enxergo diferente. É sempre azul e preto. E, como pude perceber pelas minhas andanças pela interwebs, tanto no final da noite de ontem quanto durante toda essa sexta-feita, a maioria das pessoas enxerga branco e dourado. O "team" blue & black é minoria. O assunto viralizou de tal maneira que até mesmo as celebridades se posicionaram. Taylor Swift, por exemplo, diz ter visto azul e preto.

Já descobrimos que o vestido (muito feio, por sinal) é azul e preto, mas... por que isso gerou tantas discussões? Muitas pessoas estavam indignadas com isso, alegando (e com toda a razão) que existem problemas REAIS no mundo, que merecem muito mais atenção que um mero vestido e sua cor indefinida. Mas é claro que, na prática, nem tudo é como deveria ser. Quando as pessoas não entram facilmente num consenso, sempre haverá abertura para discussões calorosas e intermináveis. "É azul e preto" "Não, é branco e dourado!". Como fazer as pessoas enxergarem da MESMA maneira as cores de um vestido visto na MESMA foto? Isso não deveria ser óbvio? O vestido foi tirado sob efeito de uma luminosidade confusa, dando margem à todas essas dúvidas? É tudo uma grande pegadinha da internet? As pessoas estão se zoando? Afinal, quem está certo e quem está errado?

O vestido é, como eu já disse mais de uma vez, azul e preto. Isso já não é mais um mistério. Mas quem enxerga branco e dourado não está totalmente errado, só teve uma percepção diferente das cores.

E enquanto houver um assunto, seja ele qual for, que provoque a sociedade, por mais banal que ele seja, irá gerar grandes discussões. E o uso cada vez maior das redes sociais não deixa dúvidas: uma discussão jamais morre. Uma vez iniciada, ela estará para sempre na rede.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Padrões e imposições

Ontem e hoje estive conversando com alguns amigos sobre a tal da Gordofobia. Sobre os padrões que a sociedade impõe nas pessoas, sobre pessoas que criticam outras simplesmente por achar que essas outras estão fora do padrão - geralmente criticam aquelas que são mais “cheinhas”, alegando que ser gordo(a) é doença. Muitas vezes, se torna uma doença, a obesidade mórbida. Mas muitas outras vezes, a pessoa é daquele jeito porque se alimenta bem, tem facilidade para engordar, mas nem se importa muito com isso. Qualquer que seja o caso, diz respeito à pessoa em questão. Se ela não perguntou nada para as pessoas ao seu redor, não pediu ajuda ou sequer pensou em ir naqueles programas de perder peso, é porque ela, provavelmente, está bem como está.

“Fulana, você está gorda, precisa emagrecer”. Se isso não vem da própria “Fulana”, como se ela estivesse dizendo para si mesma que precisa perder peso, as outras pessoas não precisam se dar ao trabalho de dizer algo parecido, criticá-las e deixá-las tristes. Cada um leva a vida como bem entender.

Fiscais de vida alheia deveriam fiscalizar a própria vida, pois parece que têm muito tempo livre, logo, resolvem ocupá-lo “se preocupando” com os outros. E se eu quiser comer mais uma fatia de torta, eu vou comer. O corpo é meu, não seu. Se preocupe consigo mesmo e me deixe apreciar uma boa fatia de torta de chocolate.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Saber inovar: é preciso

Estava assistindo a um noticiário local ontem à noite com a minha mãe e vi uma reportagem sobre o frio no Rio Grande do Sul. Bem, "vi" é jeito de falar. Não deu muita vontade de prestar atenção em uma matéria tão desgastada, até mesmo defasada, dependendo do jeito que a fazem. É sempre a mesma coisa.

"O frio não perdoa os gaúchos"
"Turistas tiram fotos com termômetros nas ruas de Gramado"
"Gaúchos ficam à espera de flocos de neve nas ruas da Serra Gaúcha"

Essas frases sempre costumam ser ditas nessas reportagens, mas não há mais a necessidade de destacar fatos tão previsíveis e que não acrescentam nada. Não inovam. Estão faltando novas ideias, pessoas com vontade de levar matérias diferentes aos noticiários. Dá para falar sobre o inverno no Rio Grande do Sul, sim, um estado abençoado com um belo clima europeu, mas sob uma outra ótica.

O guarda-roupa do gaúchos.
Esse seria um bom tema a se abordar em uma reportagem sobre o frio no Rio Grande do Sul. Até mesmo em todo o Sul, incluindo Santa Catarina e Paraná. Daria para fazer uma reportagem sobre o clima nessa época do ano nos três estados, compará-los. E também daria para falar sobre as bruscas variações de temperaturas que temos enfrentado nos últimos anos, principalmente em 2014. Mesmo em julho, mês em que deveríamos passar por um frio absurdo e constante, não sentimos que estamos no inverno. Isso porque as temperaturas estão frequentemente oscilando, sendo possível até mesmo passar pelas quatros estações do ano em um único dia.

É claro que fica difícil inovar nas matérias e buscar chamar a atenção dos telespectadores ou até mesmo leitores, no caso de matérias para jornal impresso, e fugir da obviedade. O inverno dos sulistas, especialmente dos gaúchos, é frio. A Serra Gaúcha é o passeio turístico mais desejado pelos brasileiros que moram em estados com clima mais tropical, isso também é verdade. Mas não é o que as pessoas querem saber, até porque elas já estão (eu, pelo menos, estou) cansada de ouvir isso. Talvez elas queiram saber como o pessoal aqui no Sul "se vira" nessa época do ano. Descem as roupas de frio do armário, sobem as de calor? Deixam todas juntas, caso faça frio num dia e calor no outro?

Afinal, como as pessoas lidam com as variações térmicas por aqui?
É isso que eu gostaria de ver na TV. Sinceramente, já estou cansada de ver os turistas tirando fotos em Gramado. E mais ainda de ouvi-los idolatrar o frio daqui. Mas, acima disso, estou cansada da mesmice no telejornalismo.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Status: em crise

Engana-se quem pensa que só aqueles com mais de 30 ou 40 anos têm crise de meia idade. Eu sou uma prova viva disso. Tenho 24 anos e estou em uma constante crise de meia idade.
Mas como é que eu posso estar em crise de meia idade se nem sequer cheguei ao meio da vida?
Aliás, quem me garante que ainda viverei mais 24 anos, ou metade disso? Como saber quanto tempo mais eu tenho?
Não que eu me arrependa de algo que fiz ou que não fiz, pelo contrário. Acho que todas as atitudes que tomei na minha vida foram corretas, pois se não fosse assim, eu não estaria como estou agora. E acho que estou bem. Mas e se...? É quase impossível não pensar no "E se...", de vez em quando.
E se... eu tivesse feito aquilo? E se... eu tivesse ido naquele lugar? E se... eu tivesse sido menos temerosa?
E se...? São muitos questionamentos, até evito fazê-los.
Mas aí percebo que estou com 24 anos, que há 10 tinha 14, que há sete me formei no ensino médio, que há cinco estou na faculdade - com previsão de formatura para o ano que vem - e penso... E depois?
O que vem depois de tudo isso? Para onde irei?
Planos, eu tenho. Mas pensar em colocá-los em prática é um tanto assustador.
Estudar.
Trabalhar.
Viajar. Ok, viajar não é assustador, bem pelo contrário.
Ou talvez seja, dependendo do que eu vá fazer.
A questão é que cheguei numa fase da vida em que vejo uma luz no fim do túnel, ou seja, o fim da faculdade - que eu sempre considerei uma extensão do colégio, ou seja, um local de aprendizado e no qual posso cometer erros, mas e depois? Vejo a luz no fim do túnel, depois dela sei que estarei do lado de fora, mas o que vai acontecer?
Qual é o meu objetivo, de fato, na vida?
Por que eu não posso voltar aos 14 anos e viver eternamente naquela época?
Crescer é complicado, amadurecer é um desafio.
Eu realmente não quero chegar aos 30, mas quem liga pra isso? Daqui seis anos, volto para dar um parecer sobre os tão temidos 30 anos. Se é que eu chegarei lá.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Loser with no life

Acho engraçado notar as mudanças que ocorreram ao longo da minha adolescência até eu chegar na fase em que estou, que costuma ser chamada de adulta. Não me considero adulta, mas com 23 anos é o que sou perante a lei. De qualquer forma, eu realmente acho engraçado alguns fatos que observo atualmente.
Hoje em dia, é "legal" ser taxado ou se taxar de loser/perdedor, ou até mesmo dizer que era assim no passado, quando nem ao menos era. Como se ser loser fosse coisa boa.

Muito se fala sobre bullying atualmente, mas há uns 10 anos não era assim. Quando eu era adolescente, era loser. E não era legal. Não era nem um pouco legal, pra dizer a verdade. Ser loser significava ser a última a ser escolhida na Educação Física, e isso era constrangedor. Puxando pela memória, me lembro de momentos que foram bem ruins, nada divertidos. Aos 11 anos, eu costumava lanchar sozinha em um banco isolado de tudo e todos. Não me encaixava em nenhum grupo, as pessoas se aproveitavam disso e de outros motivos para me zoar e eu sempre acabava indo para um canto. A culpa não era nem toda minha, nem toda das pessoas. Mas acabava ocorrendo uma soma de fatores que me levava a criar um mundo só meu, uma espécie de bolha, onde ninguém mais poderia se aproximar.

Eu também não falava muito. Preferia muito mais estar na minha própria companhia do que cercada de pessoas, e ainda prefiro. Mas antigamente, costumava ter sérias dificuldades para me comunicar com os outros, achava que todos tinham problemas comigo ou estavam falando de mim (paranóica!). Quando via um grupo de pessoas cochichando, tinha certeza de que estavam falando de mim. Não era nem "achismo". Tive colegas que me zoaram, me deram apelidos, e eu ficava quieta. Às vezes, me cansava e explodia, o que só piorava. Isso fazia parte do bullying, mas naquela época, ninguém dava bola. Era "coisa de criança".

Eu podia dar margem às críticas, me isolando e facilitando o julgamento das pessoas, mas não justificava todo o problema. O fato é que eu me sentia muito triste e solitária, uma perdedora sem vida. Isso até pode ser legal na juventude dos tempos de iPhone, mas não era na época do cd-player.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

The time of my life

Janeiro, 2012. E lá estava eu, no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, me preparando para fazer A Viagem da Minha Vida – para a Europa. Sozinha. Pela primeira vez na vida. Total e completamente sozinha. “All by myself”, como diria Celine Dion. Estava na companhia de minha mãe e de uma prima do meu pai. Encontrei uma amigas e também conversei com elas. Enfim, curti o tempo que pude antes de embarcar em um voo longo e solitário por oito horas. Oito longas horas que me separavam do continente da minha vida, da terra da rainha. Do lugar que eu sonhei em conhecer por quase 11 anos.

Lembro até hoje de quando comecei o curso de inglês britânico... Não é só uma frase de efeito, eu realmente lembro. É claro que as imagens não são muito claras, pois estou falando de muitos anos atrás, mas eu lembro. Eu odiava inglês. Na verdade, eu acho que odiava porque não conseguia entender. Inglês era difícil. Até eu começar a fazer curso particular, no início de 2001. Não me lembro o mês, mas foi bem no início do ano. Meu amor pela Europa, mais precisamente pela Inglaterra e por Londres, surgiu ali.

E logo eu suspirava toda aula quando tinha que abrir o livro e via imagens da cidade que eu nunca mais ia esquecer. Londres. Tudo aconteceu aos poucos, quando vi, já estava apaixonada por um lugar no mundo que eu não fazia ideia de quando ia conhecer. Mas eu sabia que isso ia acontecer, uma hora ou outra. E aconteceu. Quase 11 anos depois.

Hoje eu não consigo mais imaginar minha vida sem a Inglaterra. Eu já sei como é lá. Não só fui para Londres, como também para outras cidades e até mesmo a outros países da Europa, mas eu preciso voltar. E depois disso tudo, comprovei uma coisa: eu realmente nasci no continente errado.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Side A / Side B

A) Eu sou a pessoa mais estranha que conheço. Às vezes estou bem humorada, socializando numa frequência até que saudável e um tanto quanto receptiva de um modo geral, mas, do nada, posso ficar o oposto disso. E também posso amar e odiar as coisas, variar entre os dois extremos, com uma facilidade muito grande. Acredito que isso aconteça com muitas pessoas, mas devido ao fato de eu ser reflexiva demais, profunda demais, estranha demais mesmo, acho que penso nisso mais frequentemente do que as outras pessoas. Ou talvez eu me superestime quando falo sobre tudo isso. Como se só eu fosse assim, como se o mundo devesse parar e apreciar minhas características e atitudes um tanto quanto excêntricas, mas eu tenho essa necessidade de supervalorizar algumas coisas em mim. Mesmo que sejam aspectos não tão positivos. Acho que faço isso para suprir algum tipo de carência interna, só não sei exatamente qual seria.

B) Hoje eu percebi que meu ano foi muito bom até agora, muito obrigada. Mas fica até estranho elogiar 2012, quando o que eu queria era fazer como a maioria e dizer que foi horrível. Isso mesmo, queria agir como a maioria, não queria ser a diferente. Não nisso. Porque reclamar das coisas é confortável, elogiar é tedioso. Elogiar não muda nada, reclamar dá mais prazer. Reclamar de tudo e de todos é divertido, é só pensar em um assunto mais ou menos polêmico e mandar ver. Usar palavrões, expressões grosseiras, xingar mesmo. Mas hoje eu me encontro aqui, a apenas 13 semanas do Natal, e não estou dando a mínima para isso. Quase não tenho do que reclamar. E quando reclamo de algo, é besteira, não merecia a minha atenção. Mas veremos o que ainda me aguarda esse ano...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Para sempre menina

Síndrome de Peter Pan, também conhecida como desprezo, não-aceitação ou relutância à ideia de crescer. Muitas pessoas, em determinado estágio da vida, passam a não querer ficarem mais velhas. Depois de uma certa idade, não é mais questão de crescer no sentido literal da palavra, na altura. É crescer como pessoa e passar a adquirir comportamentos mais adequados pra idade. Uma pessoa de 16 anos não pensa como uma de 12, assim como uma de 23 não pensa como uma de 16. Isso teoricamente, pois nem sempre é assim.

Atitudes e comportamentos são os verdadeiros medidores de idade, muitas vezes apontando uma idade inferior ou superior a que a pessoa realmente deve ter. Na maioria das vezes, crianças querem ser adolescentes ou adultas de uma vez, adolescentes querem ser adultos... E os adultos? Fariam de tudo para voltar à adolescência ou a infância. Mas há aqueles que nem sabem direito o que são, estão em algum período indefinido entre a adolescência e a fase adulta. É assim com muitas pessoas. Mas por que crescer chega a um ponto em que não agrada mais? Mais responsabilidades, mais trabalho, menos diversão, menos aventuras? Por que deveria ser assim? Não há uma resposta específica, mas é fato que crescer dá medo.

Quando se é criança ou adolescente, não se pensa direito nas partes mais complicadas da questão. O que se quer é "ser adulto" e "ter direitos como adultos" e ponto. É só isso que importa. Mas quando, finalmente, é chegada a hora de agir como o adulto que se tornou, muitos ficam amedrontados e acabam se agarrando a valores que adiarão tomadas importantes de decisões. Que os farão ficarem no estágio anterior, adolescência, por mais tempo. Mas o tempo passa, e não vai esperar ninguém acompanhá-lo. Cabe à pessoa apertar o passo e seguir em frente. Quem disse que a vida de adulto precisa ser chata? Além do mais, quem disse que as pessoas são necessariamente apenas adultas?

Adultos são mais sábios, possuem mais experiências (na teoria), mas podem possuir características de adolescentes também. Até mesmo de crianças. Não há, de um modo geral, problemas em carregar características dos estágios anteriores à fase adulta consigo. O problema está em não querer ser adulto, em negar que se está crescendo e esnobar a ideia como se ela fosse inaceitável. É preciso encarar de frente, sem criar subterfúgios. É preciso aceitar. O tempo não espera por decisões.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

I wonder what it's like to fly so high

Música: Walk In the Sun - McFly

Devia ser por volta de 7 da noite e o mar estava mais calmo. As ondas quebravam na margem sem fazer tanto barulho, tornando a paisagem em geral realmente agradável. O sol começava a se pôr no horizonte e alguns pássaros voavam. Os acordes de uma música começaram a soar sem aviso prévio. A garota, que andava descalça próxima ao mar, com as sandálias em mãos e o cabelo solto, voando conforme o vento batia, olhou para trás. Avistou a figura de um garoto sentado no chão, de pernas cruzadas, concentrado no que lhe parecia ser uma canção. Então ela resolveu aproximar-se para ouvir melhor.

I wonder what it's like to be loved by you 
I wonder what it's like to be home 
And I don't walk when there's a stone in my shoe 
All I know that in time I'll be fine

O garoto percebeu que estava sendo observado, tirou os olhos do violão e encarou a figura feminina já bastante próxima dele. - Brittany? O que você está fazendo aqui? – Daniel perguntou, colocando o violão ao lado. – Eu... Você não...
- Pode continuar tocando. Eu gosto da sua voz. – Brittany disse, sentando ao seu lado na areia. – E o momento é bem apropriado.
- Mas é que... Droga. Você meio que estragou tudo. – ele balançou a cabeça e riu. – Era pra ser uma surpresa, eu ia mostrar pra você em outra ocasião...
- Uma surpresa? Pra mim? – ela perguntou, sorrindo e olhando surpresa para ele. – Wow. Mas a letra é...
O garoto suspirou, pegou em uma das mãos dela e a encarou profundamente.
- É como eu me sinto. Mais do que um amigo.
Brittany olhou para as mãos dos dois, tirou a sua dali e ele suspirou novamente. A garota passou a mão nos cabelos, encabulada.
- Daniel, eu não sei o que dizer...
Daniel levantou, deu uma limpada em seu calção que estava cheio de areia, e estendeu uma das mãos para a garota, que continuava sentada.
- Vem. – ele pediu, sem muita cerimônia.
Ela o encarou por alguns instantes, mas pouco tempo depois estendeu a mão, fazendo com que ele a levantasse. Deu uma limpada em seu short, que também estava cheio de areia, e continuou segurando a mão do garoto. Daniel largou a mão dela e, em seguida, deu a volta e a abraçou por trás. Seus braços a envolviam em um misto de delicadeza e força. Ele encaixou seu nariz na curva do pescoço de Brittany e aspirou seu perfume, que parecia o inebriar. A garota se arrepiou e fechou os olhos.
- Você sabe que nunca fomos só amigos. – o garoto disse, após alguns segundos. Ele continuava a abraçando por trás. Ela, por fim, segurou os braços dele com força e suspirou.
- Eu sempre te amei. – Brittany disse e o garoto sorriu, satisfeito. Com calma, ele a virou e a fez fitá-lo. O olhar da garota ainda estava um pouco baixo, então Daniel levantou delicadamente seu queixo, fazendo Brittany encontrar seus olhos. Ele acariciou delicadamente uma de suas bochechas, e a viu fechar os olhos. Daniel fechou os seus olhos também e começou a se aproximar aos poucos.
O garoto sentiu duas mãos hesitantes e ao mesmo tempo ansiosas envolverem seu pescoço. Ele apertou mais seus braços em volta da cintura de Brittany e desfez de uma vez por todas o espaço que havia entre os dois, colando seus lábios calmamente nos dela. A língua dele pediu passagem e logo foi acolhida pela dela, que acabou se entregando definitivamente ao momento.
O beijo começou calmo, mas logo foi tomando proporções maiores. As bocas, as línguas, tudo parecia se encaixar perfeitamente. Era como se eles estivessem destinados um ao outro. Em volta, só o que se ouvia eram os pássaros voando por toda a praia, que já estava mais escura. O sol se despedida e as ondas quebravam na margem sem tanta violência. Nada precisava ser dito.

sábado, 28 de julho de 2012

A messed place called MIND

She can't understand what she's doing.

Está esperando por algum sinal? Que tipo de sinal? Se tem uma coisa que essa garota faz e muito é se questionar, mesmo que em silêncio. Mesmo que para ela mesma, em seu interior, para que ninguém faça conhecimento da confusão de sentimentos que carrega consigo. Pode parecer que não, mas por dentro há uma voz que cala para que ninguém mais saiba o que se passa com ela. Confuso. Complicado.

Mudanças. Muito já mudou, mas há algo mais a ser mudado? What this girl is waiting for?

Maybe she's not waiting for something, she's just being who she wants and fuck the rest.
She's living her life the way she wants and the rest is just the rest.

Apesar da aceitação, fica a dúvida: vai ser assim para sempre - por mais que o para sempre sempre acabe, como já diria a música -, ou dá para esperar por alguma mudança, uma reviravolta?

Nobody gives a damn.
Nobody cares at all.

She's nobody.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

The end has NO end

- Você não vai ir embora antes da gente conversar direito! - ouvi uma voz alta e grossa atrás de mim. Ele não estava gritando, mas estava claramente falando alguns decibéis acima do que de costume. Vários decibéis. Respirei fundo e me virei.
- Eu não tenho NADA pra dizer a você, absolutamente NADA. - coloquei força demais na palavra "nada". Sentia meu rosto arder. Ele não podia estar falando sério.
- Mas EU tenho! - ele chegou perto de mim e segurou meus braços com força. - Espera! - me fitou com aqueles olhos azuis, brilhantes, mas amedrontadores. - Podemos resolver isso!
- Me solta? - pedi, sem poder me mexer. Ele soltou meus braços e fez sinal de rendição. Pelo menos isso. - Não estou a fim de ter essa conversa. Não quero tê-la. Me deixa, por favor?
- Molly...
- Eu te machuquei. - levei um dedo de encontro ao meu próprio peito. - Você me machucou. - apontei para ele. - Nós dois saímos machucamos. - apontei para nós. - O melhor que podemos fazer é seguir em frente. Separados.
Ele deixou os ombros caírem, arrasado.
Eu também estava arrasada.
- Amigos, então? - ele estendeu a mão, receoso. Arqueei uma sobrancelha. Ele não podia estar falando sério;
- Eu não posso aceitar isso.
- Então não aceite. - ele fixou seus olhos incrivelmente azuis nos meus e eu não consegui de jeito nenhum desviar. - Você sabe que existe outro caminho.
- Não me coloque nessa encruzilhada. - Alisei meu cabelo, nervosa e mordi o lábio inferior. - Você sabe que essa não é a primeira vez que passamos por isso. E para o nosso bem, é melhor que seja a última.
Ele suspirou pesadamente. Eu continuei alisando o cabelo e olhei para o lado, agora com medo de encará-lo.
- Eu acho que você tem razão. - engoli em seco. Por mais que aquela fosse a atitude que eu esperava dele, foi difícil assimilar. Senti um nó se formar na minha garganta. - Se você acha que é melhor mesmo... - ele deu de ombros, tentando passar indiferença. Mas eu sabia que ele estava fingindo. Por mim.
- Eu não acho melhor, David. Eu acho mais seguro;
- Segurança é melhor que instabilidade. - ele disse, sério. - Por mais que a nossa instabilidade fosse... Bom, deixa pra lá. - abri e fechei a boca algumas vezes, mas som algum saiu dela.
- Eu... Está certo. - finalmente disse, com uma segurança vinda sabe Deus de onde. - Obrigada por entender. - falei, olhando para o chão.
- Você não consegue nem me encarar.
- David, não torne tudo pior. - pedi, com a voz um pouco tremida. Onde estava a segurança agora? Tinha sumido.
- Tudo bem, Molly. Eu só quero que você saiba que o que tivemos foi especial. Esse relacionamento foi o melhor que eu já tive na vida. Só quero que você... saiba disso. - ele finalizou, me encarando de forma intimidadora. Este parecia ser o dom dele. Encarar e intimidar pessoas.
- Adeus, David.
- Adeus, Molly.

Os dois viraram em direções opostas.

- Até breve, pequena. - David disse para si, com um ar esperançoso.
- Te vejo logo mais, Dave. - Molly sussurrou, esboçando um sorriso.

Fim?

domingo, 20 de maio de 2012

Whatever will be, will be

Ele

Coloquei as mãos nos bolsos. Elas estavam gélidas, mas logo ficaram aquecidas. Respirei fundo uma, duas vezes. Soltei o ar calmamente, apreciando o vapor que se formava com o ar quente vindo de mim e o frio da rua. Caminhei lentamente. Senti a garganta trancada, como se precisasse falar algo. Como se precisasse gritar. Eu precisava gritar para todo mundo que aquilo estava errado. Muito errado.

Ela

Sentei no sofá. Senti o cheiro dele no lençol ali estendido e logo algumas lágrimas pediram passagem, mas tratei de engolir o choro. Eu não podia chorar. Eu não podia permitir isso. Força. Era disso que eu precisava. Fui à cozinha e servi um copo de água. Tentei bebê-la tranquilamente. Respirei fundo. Voltei para a sala.

Ele e Ela

Algo precisa ser feito!

Ele

Criei coragem e voltei pra frente daquela casa. Me aproximei calmamente dos degraus que me separavam da porta. Pisei em um, em outro. No último, quase desisti. Mas segui avançando até terminar o curto caminho. Estiquei o braço, hesitante. E depois afastei. Aproximei-o novamente e, dessa vez, toquei na maçaneta.

Ela

Eu estava num vaivém desgastante, aproximando e afastando minha mão da maçaneta. Quando, finalmente, toquei nela, não pensei duas vezes e a girei.

Ele

Antes de conseguir tomar qualquer atitude,  vi que a maçaneta da porta já estava sendo girada por dentro. Dei dois passos para trás, assustado, e vi a porta se abrir. E lá estava ela, tão bonita e serena quanto há 15 minutos.


- Eu... Não sei o que está havendo. - ele disse, coçando a nuca, sem jeito. - Olha...
- Não. Por favor, não fale nada. - ela pediu. - Eu preciso de você. A questão é: você também precisa de mim?
- Nunca precisei tanto de alguém na minha vida.


Recomeçar. Por que não?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Quero lhe falar, é bom viajar!

Eu estava para escrever sobre a viagem que fiz para a Europa em janeiro deste ano desde que voltei, no final de fevereiro. Abril começou e eu ainda não escrevi nada sobre a minha estadia em Londres, com passadas rápidas em Manchester e Liverpool, mais três dias em Amsterdam e outros três em Paris. Mas agora, sim, eu irei escrever. Saí do Brasil dia 21 de janeiro, despachei uma grande mala e fui para o avião com uma mochila nas costas e cheia de expectativas. Foi a primeira viagem que fiz sozinha. Já tinha viajado de avião outras vezes, mas nunca sozinha. Deu frio na barriga? Deu. Quando eu entrei naquele imenso avião da TAP Portugal - super confortável, com direito a travesseiros e cobertores embalados em plásticos e pequenos monitores para ver seriados, filmes, ouvir música e até mesmo acompanhar o trajeto do avião -, eu percebi que realmente estava sozinha. A partir daquele momento, a viagem começou de fato.
Foram várias horas de voo de Porto Alegre a Lisboa - eu chegaria primeiro lá, por volta de 10h a 12h. Dormi como pude, sem apagar completamente em nenhum momento. A ansiedade era maior e, mesmo assim, nunca consigo dormir direito em avião ou ônibus. Cheguei em Lisboa, checaram rapidamente meu passaporte e eu saí do aeroporto. Espera um pouco, saí do aeroporto? Pois é, acabei entrando num ônibus que nos levaria a outro avião, da Portugália, provavelmente parceira da TAP. Longa espera no ônibus, até ele finalmente andar e nos levar até o avião, agora com destino a Londres.
Resumindo um pouco essa longa viagem de ida, pousei em Londres, passei tranquilamente pela imigração (depois de ter lido tantas coisas que me deixaram preocupada, percebi que foi besteira ter pensado tanto nisso antes de viajar), tudo ok. Então eu vou buscar a grande mala que despachei em Porto Alegre, mas... SURPRESA, nenhuma mala de Porto Alegre havia chegado! Segundo o guichê, todas elas ainda estavam "em trânsito". O que me consolou um pouco foi o fato de eu não ter sido a única a sofrer com isso. E eu fiquei realmente orgulhosa de mim por encarar esse contratempo de cabeça erguida, mesmo estando sozinha e bem longe de casa. Mais precisamente em outro continente, do outro lado do oceano. Mas a mala acabou chegando na residência algumas horas depois, no final deu tudo certo.

Posso definir a viagem toda, de Londres a Paris, em uma palavra: INESQUECÍVEL.
Posso, também, defini-la em uma frase: Melhor experiência da minha vida até hoje.

E após voltar da minha viagem, eu estou passando pelo que se pode chamar de Depressão Pós-Europa ou até mesmo Depressão Pós-Londres. E sinto que ela vai durar um bom tempo.

@ Westminster / London, UK / 2012

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

I miss you and I need you

Amanhã, dia 13 de agosto, o meu pai estaria fazendo 53 anos. Não consigo explicar com palavras a falta que ele faz na minha vida. Era e continua sendo uma das pessoas mais especiais e importantes para mim, isso nunca vai mudar. O tempo vai passar, algumas coisas podem até mudar, mas o meu amor por ele vai continuar crescendo. Não é porque o meu pai não está mais aqui, neste plano, que eu vou passar a me referir a ele como uma pessoa que eu "costumava" amar, como se eu não continuasse fazendo isso.

O meu pai não era a pessoa mais perfeita do mundo, inclusive podia passar longe disso, mas eu o amava com todos os defeitinhos que ele tinha. Sem falar que ele tinha várias qualidades e eu tenho muito orgulho de dizer que herdei algumas. Mas algo que eu herdei, sem qualquer questionamento, foi o temperamento forte. Pavio curto, impaciência... Quando brigávamos, era uma loucura. Mas quando estávamos tranquilos um com o outro, era tudo lindo. Meu pai me paparicava muito, criava neologismos, fazia grandes demonstrações de amor. Era um lindo. É um lindo.

Eu não consigo acreditar que já faz um ano e alguns meses que ele deixou de fazer parte deste plano físico. Que ele deixou de participar da minha vida como minha mãe continua fazendo, que ele não está mais por perto fisicamente para eu contar sobre a faculdade ou qualquer outra coisa. Ele não está mais aqui para abrir os braços no meio da rua e vir em minha direção como se fosse um avião, me fazendo rir e morrer de vergonha, mas ao mesmo tempo ter vontade de fazer o mesmo e gritar "ESSE É O MEU PAI! MORRAM DE INVEJA!". Sempre tive muito orgulho dele.

Não só o dia do aniversário dele está chegando, como também o dia dos pais. Então dá para imaginar o quão desolada eu estou. Menos do que no ano passado, quando estava tudo muito recente, mas ainda assim, estou. Nada vai conseguir trazer o meu pai de volta, nem que seja para dizermos "eu te amo" um para o outro, mais um vez, e nos abraçarmos. Nada. Eu não vou mais receber abraços dele. Mas eu gosto de pensar que ele está sempre por perto ou me cuidando de algum lugar. Na verdade, eu quero e preciso pensar assim.

Quando acontece algo bom na minha vida, gosto de pensar que ele estava ao lado do Cara Lá de Cima e me ajudando naquele momento. Imagino ele sorrindo, reprovando algumas atitudes, mas sempre me vendo e guiando de algum lugar.

Eu não sou mais a mesma sem o meu pai, aquele cara era e continua sendo um dos meus exemplos de vida, o meu grande herói.
Mas eu sei que preciso seguir em frente. Sei que ele quer isso, então é o que estou fazendo: seguindo em frente. Um passo de cada vez, dia após dia.

Então, PAI, onde quer que você esteja, saiba que eu continuo te amando MUITO. Nada, nunca, vai mudar o que eu sinto por você. Nem o tempo.

FELIZ ANIVERSÁRIO (adiantado) E UM MARAVILHOSO DIA DOS PAIS!

EU TE AMO.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

It's cold in the night, but I'm looking for the heat *

A música: I Need A Woman - McFly


- Eu preciso dela! – ele disse, erguendo a cabeça. – Vejamos... – o rapaz deu um gole em sua xícara de leite, deixou-a na mesinha de cabeceira, e voltou a concentrar-se. – Ah, já sei!
- But when it gets to midnight, I'm in my bed alone. You're all I want, you're all I need. – ele cantou, dedilhando algumas notas. Depois, sorriu e anotou tudo. Era aquilo ali mesmo! – Nossa, tá frio! – o rapaz olhou para o lado e notou que sua janela estava escancarada. Levantou-se, resolveu o problema e voltou a deitar-se. – Peraí, é isso!
- It's cold in the night, but I'm looking for the heat. – ele cantou e dedilhou algumas notas novamente, escrevendo-as no caderno em seguida. Respirou fundo e esboçou um sorriso.
Ele colocou seu violão no chão e deixou a caneta e o caderno em cima da mesinha de cabeceira.
– Amanhã eu continuo. – o rapaz disse e apagou a luz, tapando-se até o nariz.

Fazia muito frio naquela noite e ele realmente estava procurando por algum calor.
Calor humano, calor dela.




* Trecho extraído de uma fanfic que estou escrevendo, que eu duvido que algum dia publique.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vistas e sensações, cores e divagações *



Este é um dos capítulos da vida de Joanna, uma garota que descobriu cedo demais a dor de uma desilusão amorosa. “Por que ele fez isso comigo?”, pensou, enquanto se dirigia a sua poltrona na janela. 
[...]
Pelo menos ela estava ali, tendo algum tempo para refletir, atravessar nuvens e percorrer longos caminhos longe da estabilidade da terra. Joanna queria tocar aquelas nuvens, ver se eram feitas de algodão.
Ela esperou o voo estabilizar para, enfim, inclinar sua poltrona, colocar fones de ouvido e relaxar de verdade. Isso daria a ela a tranquilidade necessária para refletir sobre o que tinha acontecido. O telefone tocou e ela tomou um susto ao ouvi-lo, pois pensou que tivesse desligado. Uma aeromoça apareceu, sorrindo.
- Com licença, você precisa desligar seu aparelho. 
A garota assentiu e o desligou.
[...]
Desde muito cedo, Joanna aprendeu que deve fazer o que acha certo. O mais certo para ela, naquele momento, parecia ser viajar para a Europa e esquecer que, nos Estados Unidos, certa pessoa tinha feito parte de sua história durante um bom tempo. “O Daniel é passado, eu preciso seguir em frente”, pensou, esboçando um ar de superioridade. “Se ele consegue, eu também conseguirei”.
Olhou para o lado e ficou maravilhada. Percebeu como seus problemas eram insignificantes perto da imensidão do que estava vendo. Ela e Daniel eram pequenos demais perto daquilo. Tudo, daquele ângulo, lhe parecia muito pequeno e insignificante. Sentiu-se diante de uma maquete ou até mesmo de simples brinquedos de crianças, mas sem poder ter controle algum sobre o que via.
Era uma união de azuis tão fascinante, eles se confundiam e não a deixavam distinguir uma coisa de outra. “Isso faz parte lá de cima ou lá de baixo?” A natureza brinca com as cores. E, assim, tão compenetrada na vista, ela pôde parar de pensar no ex-namorado durante algum tempo. Umas boas horas, pelo menos. Ao perceber isso, sorriu e sentiu-se vitoriosa. Era uma grande conquista para ela.
[...]
Joanna tinha uma prova muito difícil na próxima semana, seus pais estavam prestes a se divorciar e o garoto com o qual ela mais tinha se sentido segura durante sua vida, o único que a tinha feito descobrir tantos sentimentos novos, havia pisado na bola de maneira quase impossível de perdoar. Mas, naquele momento, nada mais importava. Nada mais merecia a sua atenção a não ser o que estava ali, do outro lado da janela.



* Segunda versão de texto ficcional a partir de foto, feito por mim, para a disciplina Português Aplicado à Comunicação II do curso de Jornalismo - Comunicação Social, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

domingo, 10 de abril de 2011

Toda a magia de um filme

Estava eu, escrevendo um artigo para uma cadeira da faculdade de Jornalismo, quando me deu vontade de escrever algo sobre um filme que eu adoro e esteve muito presente na minha vida em 2005. Por que 2005? Nem sei, mas lembro que ganhei a edição de colecionador, a do 10º aniversário de lançamento do filme, em outubro daquele ano. Estou falando de um sucesso do final da década de 80, mais especificamente de 1987: Dirty Dancing. Sessão da tarde, filme velho, roupas bregas? Até pode ser, mas a história desse filme, pra mim, é uma das mais sinceras que existem!

O filme teve um orçamento baixíssimo, por volta de US$ 6 milhões, mas seu faturamento foi de mais de US$ 213 milhões. A explicação? Pegue um filme e coloque um caro bonito, com jeito de galã e que sabe dançar, e uma garota jovem, inocente e apegada à família, e você terá uma produção nos moldes de Dirty Dancing: simples e encantador. Outro motivo para tornar o filme mais próximo da realidade e, consequentemente, atrair a atenção de muitas pessoas, é a protagonista não ser linda, mas sim uma garota comum, como qualquer outra - podia até ser sua vizinha desajeitada.

E o que se esperava, a princípio, de um filme de baixo orçamento? Praticamente nada. O pessoal envolvido na produção e os próprios atores estavam achando que seria apenas mais um filme, mas o BOOM de Dirty Dancing foi tão grande que a história até teve, em 2004, um remake: Dirty Dancing - Havana Nights, com outros atores, outro enredo e uma pequena participação de Patrick Swayze, o protagonista do original de 87. Também é bom, mas não há nada como o original, né?

E o que falar da dança final do filme, cena clássica e que eu, com certeza, adoraria ter visto nas telonas do cinema, embalada pela contagiante (I've Had) The Time Of My Life? Simplesmente inesquecível! Eu confesso que tinha me desligado do filme há algum tempo, mas ele passou semana passada na sessão da tarde, assisti-lo novamente fez todos esses sentimentos despertarem dentro de mim. Lembrei como eu gostaria de ir para um resort como aquele, conhecer um cara como Johnny Castle e viver uma história de amor como aquela.

Enfim, lembrei de uma época em que eu era absolutamente obcecada por esse filme! E como eu adoro uma nostalgia... Deu nisso!

Em tempo: Patrick Swayze, infelizmente, faleceu em 14 de setembro de 2009, após lutar por quase dois anos contra um câncer no pâncreas. Devo dizer que fiquei bem abalada quando soube.

RIP, Swayze. Nosso eterno Johnny Castle.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Time passes by

Uma das coisas mais verdadeiras que eu aprendi até hoje é que o tempo não para, como diria o imortal Cazuza. Se eu quiser mais tempo para fazer uma prova difícil, ele não vai, como em um passe de mágica, ficar mais lento ou mesmo parar, se eu por acaso pedir. Se eu estiver enfrentando um período turbulento e quiser sair dali, ir para algum outro momento da minha vida, tentar relaxar um pouco, me distrair, e depois voltar preparada para encarar o tal período, também não será possível.

Eu posso até parar os meus relógios manualmente, mas não vou poder fazer o mesmo com todos os relógios que existem. E mesmo se conseguisse, pouco ou nada adiantaria, pois o tempo sempre continua a passar. Não sabemos até quando, mas, até lá, vai continuar passando.

Se eu quiser voltar em algum momento específico da minha vida, também não vou conseguir. Não existe um controle remoto universal como o do filme Click. E talvez até seja melhor assim! Quem assistiu a esse filme sabe como ter um controle daqueles pode causar vários problemas... Mas, mesmo assim, tenho certeza de que quase todo mundo já quis voltar, parar ou adiantar o tempo. Reviver o passado, curtir mais algum momento do presente ou ir logo para o futuro são vontades compreensíveis, mas parece que não é assim que deve ser.

Talvez fosse bom voltar ao passado e consertar erros, ou continuar em algum momento presente da vida até cansar e, depois, pular para o futuro. Ou ainda ir para o futuro, ver o que acontece e voltar ao passado/presente sabendo, e preparado, para o que virá depois.

Mas nada disso está em nossas mãos. Não temos controle algum sobre o tempo.
 O que passou, passou. O que está acontecendo, está acontecendo naquele exato momento.

Piscou, virou passado. E o futuro, virou presente.